Mark Carney é eleito primeiro-ministro do Canadá com propostas para fomentar a economia


Ex-presidente do Banco da Inglaterra quer reduzir tarifas alfandegárias e investir em cadeias produtivas

Por Pedro Augusto

O Partido Liberal do Canadá venceu as eleições federais e garantiu a Mark Carney seu primeiro mandato oficial como primeiro-ministro. A vitória veio apenas seis semanas após ele assumir interinamente o cargo deixado por Justin Trudeau. O novo chefe do executivo defende o fortalecimento de setores estratégicos da economia, como a indústria automotiva e a siderurgia.

Seu plano inclui reduzir tarifas alfandegárias e investir em cadeias produtivas ameaçadas pela política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Carney propõe também reformular o imposto sobre carbono, reduzindo a carga para consumidores e pequenas empresas, e elevando a taxa para grandes corporações.

Novato em campanhas eleitorais, mas experiente em tempos de crise, o primeiro-ministro capitalizou o prestígio conquistado à frente dos bancos centrais do Canadá e da Inglaterra para apresentar sua proposta econômica e institucional. A campanha de seu partido ganhou força diante da retórica agressiva trumpista, que chegou a sugerir publicamente a anexação do Canadá.

Trump taxou produtos importados de vários países, entre eles do Canadá como o aço.  Em relação aos impactos para a economia canadense após este ato, o presidente da CCBC, Hilton Nascimento, em entrevista à Times Brasil CNBC, havia afirmado que as tarifas comerciais impostas por Trump, em abril, sobre 25% de produtos importados do Canadá poderiam afetar a cadeia automotiva canadense, mas com consequência para seu país vizinho. “A partir do momento que você sobretaxa a indústria automobilística, por exemplo, que monta os carros no Canadá, você também está encarecendo o produto para o mercado americano; não é bom pra ninguém”, explicou.

Em conversa no podcast Café Garin – uma parceria da Comissão de Assuntos Econômicos da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) com a Garín Multi Family Office, o jornalista brasileiro Caio Blinder, especializado em política e economia e com residência fixa nos Estados Unidos, analisou os motivos da vitória de Carney no Canadá.

Para ele, declarações expansionistas feriram o orgulho dos canadenses tanto quanto as taxações. “De repente, você tem o presidente do seu melhor vizinho dizendo que o Canadá devia virar o 51º estado americano. Mesmo quem era simpático ao Trump falou: ‘a brincadeira perdeu a graça’”, disse. “Mark Carney venceu com um discurso dizendo: Trump, temos problemas, vamos discutir tarifas, mas nos trate com respeito”, emendou o jornalista.

De acordo com Blinder, o Partido Liberal, que era também de Trudeau, já havia sido dado como derrotado antes das taxações e das declarações expansionistas de Trump. “Os liberais estavam 20 pontos atrás nas pesquisas e venceram com um discurso, dizendo: ‘Trump, temos problemas, vamos discutir tarifas, mas nos trate com respeito. Pare com essa bobagem de falar que o Canadá vai ser estado.’”

A entrevista completa de Caio Blinder ao podcast Café Garin pode ser acessada neste link. O bate-papo com o jornalista foi conduzido por Eliana Pagani, CEO e sócia da Garín Multi Family Office, conselheira da CCBC e coordenadora da Comissão de Assuntos Econômicos da entidade.

Quem é Mark Carney?
Carney nasceu em Fort Smith, nos Territórios do Noroeste, e cresceu em Edmonton, Alberta, em uma família de professores. Ainda jovem, destacou-se como goleiro de hóquei, símbolo das suas raízes canadenses. Formou-se em economia em Harvard e concluiu mestrado e doutorado em Oxford. Trabalhou por mais de uma década no Goldman Sachs, com passagens por Londres, Tóquio, Nova York e Toronto. Ingressou no Banco do Canadá em 2003 e, cinco anos depois, assumiu o comando durante a Grande Recessão, ganhando notoriedade pelas medidas para estabilizar a economia.

O desempenho como executivo o levou ao cargo de presidente do Banco da Inglaterra, sendo o primeiro estrangeiro no posto. Lá, enfrentou desafios como o Brexit, alertando sobre os riscos da saída do Reino Unido da União Europeia. Ao deixar o cargo em 2020, passou a se dedicar à agenda climática como Enviado Especial da ONU para Ação Climática e Finanças, defendendo a transição para uma economia de baixo carbono.

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