Tecnologia, defesa e agro abrem espaço para novos negócios entre Rio Grande do Sul e Canadá

Estado tem potencial para ampliar relações comerciais com o mercado canadense em setores como tecnologia para o agronegócio, defesa, aviação, calçados e mineração

Por Pedro Augusto

As exportações do Rio Grande do Sul para o Canadá recuaram, em média, 1,5% ao ano entre 1997 e 2025, na contramão das vendas brasileiras ao País, que cresceram 9,4% em doze meses. A avaliação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), no entanto, é que os negócios gaúchos fechados com o mercado canadense podem dar uma nova guinada. A mudança de quadro seria por meio da tecnologia aplicada ao agronegócio, defesa, aviação, calçados e mineração.

A avaliação é de Fernanda Fossati, coordenadora do Chapter RS da CCBC e sócia do TozziniFreire. Para ela, uma das principais possibilidades está na transferência de conhecimento e tecnologia para o agronegócio. A oportunidade não está necessariamente na importação de máquinas, já que o Rio Grande do Sul possui uma indústria de equipamentos agrícolas desenvolvida, mas em soluções de tecnologia da informação, inovação e genética.

Segundo a coordenadora, o mercado canadense tem avanços em genética e tecnologia aplicada à produção que podem contribuir para empresas e produtores gaúchos. O ecossistema de inovação do Estado também favorece essas conexões.

Defesa e aviação seguem a mesma lógica. O Rio Grande do Sul desenvolve tecnologias e softwares para o setor, e a relação com o Canadá pode envolver tanto soluções tecnológicas quanto equipamentos e insumos.

Calçados e mineração ampliam a pauta

O setor calçadista também aparece como oportunidade de diversificação. O Rio Grande do Sul concentra um dos principais polos industriais do segmento no País e enfrenta o desafio de encontrar novos destinos para sua produção.

“Tem um polo industrial gigante aqui que está buscando novos mercados”, afirma Fernanda. A diversificação ganha relevância diante da concentração atual. Em 2025, o agronegócio respondeu por 76,6% das exportações gaúchas ao Canadá.

A mineração também pode criar uma relação de mão dupla. Fernanda cita os projetos de fosfato no Rio Grande do Sul, insumo usado na produção de fertilizantes, como uma frente para aproximar empresas gaúchas e investidores estrangeiros.

O Canadá já ocupa posição estratégica como fornecedor de fertilizantes para o Estado. Em 2025, o cloreto de potássio respondeu por 91,7% do valor e 99,1% do volume das importações gaúchas do país, com US$ 261,2 milhões e 853,1 mil toneladas.

As exportações brasileiras ao Canadá chegaram a US$ 7,25 bilhões em 2025, e o agronegócio respondeu por US$ 1,3 bilhão. “A gente vê que tem grande espaço para esse mercado acontecer, para essa bilateralidade acontecer realmente”, afirma Fernanda.

O desafio é transformar a presença institucional em conexões empresariais permanentes. A estratégia passa por conectar empresas, universidades, entidades setoriais e potenciais parceiros canadenses. A CCBC tem ampliado sua presença em eventos empresariais e de inovação no Estado, com aproximação de instituições como Farsul, Fiergs e Tecnopuc. A proposta é unir conhecimento sobre o mercado canadense e oportunidades concretas de negócios.

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