Economista Samuel Pessôa afirma em Fórum que avanço de reformas, maior segurança econômica e melhora da previsibilidade econômica ampliam parcerias bilaterais
Por Pedro Augusto
A queda da taxa do desemprego brasileiro, o crescimento econômico do País acima das projeções do mercado, além da inflação mais controlada que em momentos anteriores, devem ajudar a impulsionar uma nova rodada de investimentos estrangeiros no Brasil em um curto prazo. A avaliação foi feita pelo economista do BTG Pactual, pesquisador e professor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), Samuel Pessôa, durante sua palestra na abertura da 4ª edição do Fórum Econômico Brasil-Canadá, realizado neste mês de abril, em São Paulo.
Durante sua participação no evento, o economista destacou que, apesar dos desafios fiscais, a economia brasileira demonstrou resiliência e capacidade de adaptação nos últimos anos. A previsão a partir de seu ponto de vista é que países como Canadá avancem também para novos acordos com o bloco que forma o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Bolívia), além dos associados (Chile, Colômbia, Equador, Peru, Guiana e Suriname).
“O Brasil termina este período em condição econômica melhor do que muitos imaginavam”, afirmou o economista, ao citar fatores como a condução da política monetária, o avanço da reforma tributária e a reorganização do arcabouço fiscal. Para ele, essas medidas ajudam a elevar a confiança de investidores e melhoram o ambiente de negócios no médio e longo prazo.

Reprodução/CCBC
Pessôa destacou ainda que a nova estrutura tributária – que unifica tributos sobre consumo, simplifica regras fiscais e reduz distorções históricas do sistema brasileiro –, aprovada pelo Congresso Nacional brasileiro, tende a gerar ganhos relevantes de produtividade nas próximas décadas. “Agora, teremos um sistema tributário normal”, opinou. Na avaliação do economista, esse tipo de modernização institucional é decisivo para ampliar a competitividade brasileira diante de investidores globais.
Nesse cenário, o Canadá aparece como parceiro estratégico. O ex-ministro das Relações Exteriores e embaixador do Brasil no Canadá, Carlos França, afirmou durante o evento que as relações bilaterais atravessam “talvez o melhor momento dos últimos 30 anos”, impulsionadas por fluxo crescente de comércio e investimentos entre os dois países.
Segundo o diplomata, o estoque de investimentos canadenses no Brasil e brasileiros no Canadá já é significativo, com presença de grandes empresas em ambos os mercados. Ele também ressaltou que a corrente de comércio entre Brasil e Canadá superou pela primeira vez a marca de US$ 10 bilhões no ano passado, com perfil diversificado e forte presença de produtos de maior valor agregado.
França acrescentou que a expectativa de avanço nas negociações para um acordo comercial entre Mercosul e Canadá — tratado que busca reduzir tarifas, facilitar investimentos e ampliar o acesso a mercados entre os países do bloco sul-americano e o parceiro norte-americano — deve ampliar a segurança jurídica e regulatória, tornando o mercado brasileiro ainda mais atrativo ao capital canadense. “O Canadá é um campeão de tecnologia e de investimentos, e terá melhores condições de acesso ao mercado brasileiro”, afirmou.
Realizado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), com apoio da Brookfield, McCain e BRP, o Fórum Econômico Brasil-Canadá reuniu autoridades, empresários e especialistas para discutir oportunidades em energia, infraestrutura e recursos estratégicos, setores vistos como centrais para a próxima etapa da cooperação bilateral.

