Victor Fedeli, ministro de Desenvolvimento Econômico, destaca setores, ambiente pró-investimento e oportunidades para o Brasil
Por Pedro Augusto
Ontário, motor econômico do Canadá, está de olho no Brasil para fortalecer relações comerciais e ampliar investimentos bilaterais. A mensagem foi reforçada pelo ministro de Desenvolvimento Econômico, Criação de Empregos e Comércio da Província, Victor Fedeli, durante visita ao País em novembro. Na ocasião, ele se encontrou com empresários, representantes de entidades e do governo brasileiro em busca de novas parcerias, com apoio da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).
Hoje, segundo dados da CCBC, o comércio entre Brasil e Ontário representa uma das principais frentes da relação econômica bilateral. Em 2024, o Brasil foi o 10º maior exportador para Ontário, com US$ 3,96 bilhões em vendas — majoritariamente ouro, alumínio, aeronaves e açúcar, refletindo a força dos setores de mineração, agronegócio e indústria aeroespacial. No sentido inverso, Ontário exportou US$ 336 milhões ao País, com destaque para medicamentos, peças aeronáuticas e pó de níquel, o que reforça o peso da indústria química e farmacêutica na parceria. Nesse cenário, a balança comercial registra um superávit de US$ 3,5 bilhões a favor do Brasil.
Segundo o ministro, o momento global exige aproximação entre países com alto potencial de cooperação. “Nunca houve um momento mais importante para empresas e governos ao redor do mundo se encontrarem, diante do atual clima internacional de mudanças”, afirmou. O ministro destacou ainda a relevância do Brasil para o Canadá e para a província que representa. “O Brasil é um parceiro comercial muito importante para o Canadá e para Ontário.”
Entre as áreas com maior potencial de cooperação, Fedeli aponta três eixos prioritários: agronegócio, defesa e investimentos. No agronegócio, cerca de 10% do comércio bilateral já envolve alimentos e produtos agrícolas. “É um setor muito importante para nós”, disse o ministro.
Para Fedeli, mudanças geopolíticas e o novo cenário comercial imposto pelos Estados Unidos ajudaram a impulsionar novas oportunidades. “O ambiente atual torna a Defesa um setor realmente crítico; há grandes oportunidades para empresas do Brasil e de Ontário trabalharem juntas em projetos estratégicos”, afirmou, mencionando o aumento expressivo de investimentos europeu no setor.
A visita do ministro também teve como objetivo apresentar às empresas brasileiras as vantagens competitivas de Ontário como destino de investimento. A província tem hoje um dos ecossistemas mais dinâmicos da América do Norte. “Em Ontário, temos todas as peças que as empresas precisam para crescer: energia limpa e estável, forte ambiente de inovação, mão de obra altamente qualificada e um dos melhores sistemas educacionais do mundo”, destacou.
No campo dos investimentos, os fluxos entre Brasil e Ontário vêm ganhando relevância. Como centro financeiro e comercial do Canadá, Ontário recebe grande parte dos US$ 2,2 bilhões investidos por empresas brasileiras no Canadá, incluindo companhias associadas à CCBC, como Biolab e Stefanini Group. No movimento inverso, empresas baseadas em Ontário compõem parte importante dos US$ 23,2 bilhões investidos por canadenses no Brasil, como os associados Kinross e McCain. O cenário mostra um potencial significativo ainda a ser explorado nos setores de ciências da vida (life sciences), infraestrutura e inovação.
A visita ao Brasil marca um esforço estratégico do governo de Ontário para fortalecer sua presença global e identificar oportunidades em mercados emergentes. Para o ministro, o Brasil é um parceiro natural nesse processo tanto pela força de sua indústria quanto pela proximidade cultural desenvolvida entre as comunidades brasileira e canadense.
“Ontário e Brasil têm uma relação longa e muito positiva em comércio”, disse. “Agora é o momento ideal para fazer essa relação crescer”, concluiu Fedeli.

