Painel em evento da CCBC mostra que responsabilidade ambiental e governança seguem determinantes para competitividade das empresas
Por Pedro Augusto
O debate sobre práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) ganhou novos contornos diante das recentes crises globais com conflitos geopolíticos, pressões tarifárias e mudanças climáticas cada vez mais frequentes. Diante deste cenário, agir para reduzir danos ambientais e implementar práticas sustentáveis são fundamentais para a competitividade das empresas.
A discussão foi aprofundada durante um dos painéis do Summit Brasil-Canadá, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), no qual executivos de diferentes setores apresentaram percepções sobre risco climático, métricas internacionais, cultura corporativa e aplicações práticas de sustentabilidade.
“O valor da análise de riscos ambientais é extremamente potente para o desenvolvimento dos negócios”, disse o coordenador da Comissão de Compliance e ESG da CCBC e CEO do Grupo MYR, Sergio Myssior. Ele ressalta também que empresas que adotam políticas corporativas para a preservação do ecossistema ao seu redor são mais valorizadas e competitivas no mercado. “A agenda ESG vai diretamente ao encontro da operação das empresas”, emendou.
Esta conexão existe porque, segundo ele, práticas sustentáveis como forma de governança para as empresas, além de ajudar as organizações a se antecipar a riscos ambientais que afetam a sociedade, reforçam a boa imagem da empresa junto à comunidade e diminuem impactos negativos na produtividade, uma tendência mundial por conta das mudanças do clima. “Eventos climáticos podem interromper cadeias produtivas e levar inclusive à escassez de insumos”.
Durante o evento, a executiva Rosane Fukuoka, diretora técnica da Mitsidi, trouxe um recorte do impacto geopolítico sobre cadeias produtivas brasileiras. Ela lembrou que a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros em julho gerou queda de 80% nas exportações e a perda de 15 mil empregos somente em São Paulo, de acordo com estudo feito por sua empresa.
Essa perda de mercado externo faz também com que só se sustentem empresas mais produtivas. Para serem competitivas, elas precisam contar com profissionais mais qualificados que passam, até mesmo, a escolher onde querem trabalhar. “Os jovens não querem mais trabalhar em empresas convencionais; eles querem estar em empresas que estejam alinhadas aos seus valores”, pontua Rosane, mostrando a importância de conectar a imagem da instituição a políticas de ESG.
Para Giovanna Cappellano, da Concepta Ingredients, ESG começa pela cultura corporativa. “Responsabilidade, ética e moral fazem parte do negócio; quando você trabalha com ética já está começando a adotar políticas de ESG”, afirmou. A executiva citou também dados internos de sua empresa que reforçam a importância de se implementar governança aliada à sustentabilidade.
Na Concepta, desde a implementação de ações focadas em ESG, a empresa registrou aumento de até 20% nas vendas, redução de até 30% nos riscos financeiros e queda de 57% no turnover (taxa de rotatividade de funcionários). “O ESG não é uma moda passageira; ele já faz parte do dia a dia, da conversa com Recursos Humanos e com comunidades, do ambiental e da governança.”
Ferramenta para apoiar empresas na jornada ESG
Durante o painel, Sergio Myssior, da Comissão de Compliance e ESG da CCBC e do Grupo MYR, também destacou uma iniciativa que busca facilitar a adoção de práticas sustentáveis pelas empresas. Ele explicou que a Calculadora ESG, desenvolvida pela ESG Solutions e disponibilizada aos associados da Câmara de Comércio, tem como objetivo orientar organizações na avaliação de sua maturidade em sustentabilidade.
“A gente mostra por meio desta ferramenta que essa jornada de transição para uma governança com essas dimensões é naturalmente longa, mas não precisa ser cara nem complexa; ela pode ser acessível até mesmo para pequenas e médias empresas.”
Segundo ele, a calculadora (que pode ser acessada aqui) apoia o processo de diagnóstico e ajuda empresas a compreenderem seus principais pontos de avanço, reforçando que a agenda ESG exige continuidade e evolução.
Presença da CCBC na COP 30
O Summit Brasil-Canadá foi um evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá que precedeu a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém, no Pará, neste mês de novembro. O evento global, que recebeu autoridades e empresários de todo o Planeta para discutir e negociar ações de enfrentamento à crise climática, contou também com a participação da CCBC. Representantes da Câmara estiveram na conferência do clima para apoiar empresas brasileiras e canadenses como a Mitsidi, Cescon Barrieu, OPTEL Group e BRP nas discussões ambientais.
A CCBC organizou quatro painéis na Blue Zone, realizados em parceria com o Instituto Bem Ambiental (IBAM): Produção Sustentável de Combustíveis – Inovações Químicas para o Clima; Saúde Ambiental e Mobilidade Sustentável – Antecipando Riscos e Protegendo Comunidades; Descarbonização Industrial – Inovação em Processos Químicos; e Planejamento Urbano Sustentável e Cidades de Baixo Carbono.
Além disso, a Câmara participou de um evento da Embaixada do Canadá sobre Conduta Empresarial Responsável (RBC), representada pela diretora de associados e negócios, Daniella Leite, no qual reforçou a importância da cooperação bilateral e da sensibilização das cadeias produtivas.
Os associados da CCBC que estiveram na COP 30 deram foco em temas como transição energética e desenvolvimento sustentável. A instituição também apoiou iniciativas do Grupo MYR, por meio do Road to COP30. Esta ação levou representantes da empresa e do IBAM a percorrerem biomas pelo Brasil de Belo Horizonte ao Pará, sede da Conferência, dentro de um motorhome.
Juntamente com o IBAM, o Grupo MYR participou do congresso no Pavilhão Cidades Inteligentes, fortalecendo a agenda ambiental para implementação de soluções em ESG em municípios.

