Setor mineral concentra 47% do saldo comercial brasileiro, atrai empresas canadenses e deve movimentar bilhões em investimentos até 2029
Por Pedro Augusto
A mineração segue como um dos pilares da economia brasileira. Em 2024, o setor registrou faturamento de R$ 270,8 bilhões, com exportações de US$ 43,4 bilhões – quase metade do saldo comercial do país. A atividade está presente em cerca de 2.800 municípios e envolve a exploração de mais de 90 substâncias minerais, de acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM). O solo brasileiro é tão rico que tem atraído empresas canadenses do segmento para o Brasil em busca de bons negócios.
A Kinross, por exemplo, é uma das maiores produtoras de ouro em território brasileiro. Já a Sigma Lithium explora lítio no Vale do Jequitinhonha (MG). A Lundin Mining investe na produção de cobre enquanto a Largo é referência no vanádio extraído na Bahia.
Segundo Arminio Calonga, consultor de negócios da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), o potencial do país para atrair investimentos ainda está longe de ser esgotado. “O Brasil tem uma grande concentração de minerais estratégicos para a transição energética, como terras raras, grafita, níquel e lítio”, exemplificou. “A oportunidade está em desenvolver aqui a cadeia produtiva, transformando toda essa matéria-prima em produtos industrializados e em tecnologia”, emendou.
Apesar da diversidade mineral que existe no Brasil, a produção ainda é altamente concentrada em poucas empresas. Estudo da revista Brasil Mineral mostra que 200 maiores mineradoras respondem por mais de 86% do valor total extraído em solo nacional. Entre os principais players estão a Vale, maior produtora de minério de ferro do país; a Anglo American, com destaque para o projeto Minas-Rio; a CSN Mineração; e a CBMM, referência mundial em nióbio.
Além de ser líder mundial em nióbio – com 94% das reservas globais concentradas em Minas Gerais e Goiás –, o Brasil desponta também na produção de bauxita, ouro e manganês, além de possuir a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Esses minerais são fundamentais para setores como energia limpa, aeroespacial, defesa e mobilidade elétrica.
As perspectivas de investimento reforçam o dinamismo do setor. De 2025 a 2029, estão projetados aportes de até US$ 68,4 bilhões no país, segundo um relatório do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). “O interesse internacional é muito grande; empresas canadenses, por exemplo, já enxergam o Brasil como um país estratégico para garantir o fornecimento de minerais críticos nos próximos anos”, afirma Calonga.
Eventos sobre o setor
Para promover o setor de mineração no Brasil, diversas entidades organizam grandes eventos que criam um ambiente de oportunidades e networking. Uma das principais referências no País é a Exposibram, que neste ano será realizada em Salvador (BA), de 27 a 30 de outubro de 2025. A exposição é considerada a maior vitrine de experiências e negócios da mineração na América Latina, reunindo feira, congresso e rodadas de negócios em um único espaço físico. O objetivo é conectar players nacionais e internacionais, apresentar tendências e fomentar parcerias estratégicas no setor mineral.
A CCBC marcará presença no evento com uma programação especial voltada a promover conexões entre empresas brasileiras e canadenses, além de discutir projetos conjuntos de investimento. A iniciativa reforça o papel da Câmara como ponte institucional para negócios bilaterais.
No dia 29 de outubro, dentro da agenda da Exposibram, a CCBC realizará — em parceria com o Consulado Geral do Canadá no Brasil e com o apoio do SENAI-CIMATEC e da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) — um encontro entre empresas canadenses e brasileiras de tecnologia e serviços voltados ao setor de mineração.
Henrique Carballal, presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), reforça a importância dessa cooperação. “A CBPM tem atuado de forma estratégica para fortalecer o intercâmbio tecnológico e de investimentos entre o Brasil e o Canadá, dois países referências mundiais em mineração.” Para ele, esse movimento não se limita apenas à exploração mineral. “Nosso compromisso é construir pontes que promovam uma mineração sustentável, inclusiva e inovadora, capaz de impulsionar o desenvolvimento socioeconômico da Bahia e do Brasil.”
Além da Exposibram, a Câmara participará também da Expominério, em Cuiabá (MT), nos dias 26, 27 e 28 de novembro. O evento vem ganhando relevância no cenário da mineração de pequeno porte e, em 2025, contará pela segunda vez com a participação da CCBC. Dois associados da Câmara, Techno Alloys e Adex Group, também estarão presentes como expositores e a CCBC também tem atuação na indicação de conteudo e palestrantes.
Já em 2026, o destaque será a PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), em Toronto, considerado o maior evento global de pesquisa e investimentos em mineração. A CCBC participará pelo décimo ano consecutivo, organizando a delegação de empresas brasileiras interessadas em explorar oportunidades e participar de uma agenda estruturada de atividades e conexões com players internacionais.
Para mais informações sobre esses eventos, entre em contato com a CCBC pelo e-mail cc**@******rg.br.

