4ª edição do Fórum de Diversidade, Equidade e Inclusão da CCBC reuniu especialistas de grandes empresas e organizações para discutir governança corporativa, resiliência e o papel dos gestores no ambiente do trabalho
Por Pedro Augusto
Em um cenário global marcado por resistências e retrocessos nas políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) realizou, no dia 11 de setembro, a 4ª edição do Fórum DEI. O encontro reuniu representantes do setor privado, especialistas e autoridades para debater o futuro das práticas corporativas diante da onda de backlash, as denominadas reações negativas contra políticas conservadoras em áreas como igualdade de gênero, raças e outros costumes.
A abertura do evento foi conduzida pelo presidente da CCBC, Hilton Nascimento, que destacou o papel da entidade na promoção de um ambiente de trabalho mais justo e inovador.
“Não há futuro inclusivo, próspero e inovador sem o fortalecimento dessas pautas”, afirmou Nascimento. “A diversidade e a inclusão não são apenas caminhos possíveis, mas sim imperativos para o desenvolvimento de organizações e da sociedade”.
Na sequência, a presidente do Conselho Consultivo da CCBC e coordenadora da Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão, Esther Nunes, ressaltou a importância de manter a agenda ativa mesmo em um contexto adverso.
“Eu nunca podia imaginar que estaríamos hoje aqui falando de uma estagnação e retrocesso; é uma tendência global que se manifesta em resistência aberta ou no desmantelamento de políticas já implementadas”, destacou Esther. “É por isso precisamos manter esse debate vivo”.
A palestra magna ficou a cargo de Lara Gurgel, diretora-executiva do Instituto de Relações Governamentais (IRELGOV), que enfatizou a necessidade de engajamento das lideranças e da sociedade civil para frear retrocessos.
“O nosso papel é servir como um freio para que todas as conquistas em diversidade, equidade e inclusão que já foram alcançadas não retrocedam – ou retrocedam o mínimo possível; o verdadeiro legado das lideranças é tornar os avanços nesta área irreversíveis”, afirmou Lara.
Entre os painéis, o primeiro abordou a governança na gestão da diversidade nas empresas, com moderação de Milena Buosi, gerente de diversidade, equidade e inclusão na Suzano. Participaram como debatedores Gabriela Almeida, gerente executiva de Direitos Humanos e Trabalho no Pacto Global da ONU, e Paulo Ferle, coordenador de Diversidade e Inclusão e Responsabilidade Social Corporativa na TozziniFreire.
De acordo com Ferle muitas organizações ainda repetem modelos semelhantes de governança sem questionar sua efetividade. Para ele, para que a diversidade e a inclusão sejam robustas e fiquem enraizadas numa empresa é fundamental que a governança corporativa se espalhe por diferentes áreas da organização. “Só assim a cultura organizacional terá solidez, evitando que o tema fique restrito a um único pilar”, disse.
O segundo painel trouxe reflexões sobre resiliência em tempos de crise, com moderação de Carla Bellangero, sócia de Auditoria & Assurance para ESG e líder do CIDE – Comitê de Inclusão, Diversidade e Equidade da KPMG no Brasil. O debate contou com a participação de João Yosef Torres, sócio-fundador da Mais Diversidade, e Débora Gepp, gerente de Diversidade e Inclusão na Thomson Reuters e cofundadora da Rede Brasileira de Mulheres LBTQ+. Os painelistas destacaram como os aprendizados das big techs podem inspirar gestores no Brasil e no Canadá a manter práticas inclusivas mesmo em períodos de pressão externa.
Segundo Débora Gepp as estratégias de diversidade, equidade e inclusão precisam seguir metodologia técnica o que reforça a consolidação desta agenda como parte da cultura organizacional da empresa. “É fundamental que as políticas sobre diversidade e equidade não se resumam apenas a grupos de afinidade ou a eventos”, ressaltou. “Elas precisam estar baseadas em um processo estruturado, com foco na mudança cultural e na educação das pessoas”, ressaltou.
Ao final, os participantes destacaram que a consolidação da diversidade e da inclusão, além da iniciativa organizacional, depende muito da capacidade das lideranças de transformar essas agendas em compromissos irreversíveis para empresas e sociedades.
O fórum, que contou com apoio da Travel Plus, Brookfield e Lundin Mining, foi acompanhado por representantes do governo canadense, como Anouk Bergeron-Laliberté, cônsul e chefe do setor comercial do Canadá em São Paulo e cocoordenadora da Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão da CCBC. O objetivo de presenças como esta é reforçar a cooperação internacional entre os dois países na promoção de ambientes de trabalho cada vez mais inclusivos.

