Artigo: Retomada da aprovação popular reposiciona o governo na relação com o Congresso

Por Igor Andrade e Fernanda Arbex, sócios da consultoria Innova Assuntos Públicos

Pesquisas recentes indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a alcançar patamares consistentes de aprovação popular. Diferentes institutos apontam que cerca de 50% dos brasileiros avaliam positivamente seu desempenho, sinalizando uma inflexão importante após um início de ano marcado por desafios de articulação e dificuldades na gestão da pauta econômica.

Essa trajetória de recuperação começou no momento em que o governo entrou em rota de colisão com o Congresso Nacional, após editar um decreto que elevava a alíquota do IOF. A reação legislativa foi rápida: o aumento foi derrubado com apoio majoritário. O Executivo respondeu com uma campanha de comunicação mais assertiva, posicionando-se como defensor da responsabilidade social em contraponto ao Congresso. Esse movimento, além de marcar um novo estilo de enfrentamento, teve o efeito colateral de melhorar a percepção popular sobre o governo, especialmente entre segmentos da classe média que viram com bons olhos a postura mais combativa.

Desde então, a articulação política produziu avanços relevantes na Câmara dos Deputados. Um dos marcos mais significativos foi a aprovação da proposta que isenta do Imposto de Renda os contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, uma promessa de campanha que tem forte apelo popular. No entanto, a relação com o Congresso continua instável. A Medida Provisória 1303/2025, editada justamente para compensar as perdas de arrecadação com o recuo no IOF, acabou sendo derrubada.

Esse cenário coloca o governo em uma posição suis generis: ao mesmo tempo em que a alta na popularidade confere força política, a base de apoio no Congresso permanece fragmentada. Com o foco já voltado para a eleição presidencial de 2026, o Palácio do Planalto tem adotado uma estratégia mais direta para equilibrar a correlação de forças no Legislativo. Nas últimas semanas, iniciou-se um processo de reconfiguração de cargos de segundo e terceiro escalões, com a demissão de indicados de parlamentares que não têm se alinhado às orientações do governo. Em seu lugar, vêm sendo nomeadas figuras próximas a nomes estratégicos: o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara, Arthur Lira, ex-presidente da Câmara e relator do projeto do IR, e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

O objetivo dessa movimentação é político: garantir o apoio de lideranças com capilaridade nas respectivas Casas e que possam integrar o palanque da candidatura de reeleição de Lula. Trata-se de um esforço para montar, com antecedência, a engrenagem político-partidária necessária para sustentar uma campanha competitiva, algo que o governo ainda não possui de maneira consolidada.

Se a estratégia se mostrar eficaz, o Executivo pode combinar três vetores poderosos: recuperação da popularidade, fragilidade da oposição, que segue dividida, e reconstrução de uma base política funcional. Essa convergência ampliaria significativamente o espaço político do governo e reduziria os riscos de instabilidade institucional no período pré-eleitoral. Por outro lado, caso a recomposição da base não avance, a tensão com o Congresso poderá persistir, impondo limites à agenda legislativa e obrigando o governo a operar com margem de manobra mais estreita. Federal, de condenações definitivas de réus pelos eventos de janeiro de 2023, inclusive com penas significativas. Isso ampliou o apoio à proposta para além do PL e da oposição mais ideológica: a urgência foi aprovada por mais de 300 deputados, refletindo o desejo do plenário de destravar a pauta legislativa.

Diante do novo cenário, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passaram a atuar para construir uma solução institucional intermediária. O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade/SP) foi escolhido relator da proposta. Paulinho transita bem por diferentes espectros políticos da Casa e mantém diálogo direto com ministros do Supremo Tribunal Federal, o que pode facilitar a construção de um texto com viabilidade jurídica e política, já que há temor de que o texto, se aprovado, seja questionado no judiciário.

Pesquisas recentes indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a alcançar patamares consistentes de aprovação popular. Diferentes institutos apontam que cerca de 50% dos brasileiros avaliam positivamente seu desempenho, sinalizando uma inflexão importante após um início de ano marcado por desafios de articulação e dificuldades na gestão da pauta econômica.

Essa trajetória de recuperação começou no momento em que o governo entrou em rota de colisão com o Congresso Nacional, após editar um decreto que elevava a alíquota do IOF. A reação legislativa foi rápida: o aumento foi derrubado com apoio majoritário. O Executivo respondeu com uma campanha de comunicação mais assertiva, posicionando-se como defensor da responsabilidade social em contraponto ao Congresso. Esse movimento, além de marcar um novo estilo de enfrentamento, teve o efeito colateral de melhorar a percepção popular sobre o governo, especialmente entre segmentos da classe média que viram com bons olhos a postura mais combativa.

Desde então, a articulação política produziu avanços relevantes na Câmara dos Deputados. Um dos marcos mais significativos foi a aprovação da proposta que isenta do Imposto de Renda os contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, uma promessa de campanha que tem forte apelo popular. No entanto, a relação com o Congresso continua instável. A Medida Provisória 1303/2025, editada justamente para compensar as perdas de arrecadação com o recuo no IOF, acabou sendo derrubada.

Esse cenário coloca o governo em uma posição suis generis: ao mesmo tempo em que a alta na popularidade confere força política, a base de apoio no Congresso permanece fragmentada. Com o foco já voltado para a eleição presidencial de 2026, o Palácio do Planalto tem adotado uma estratégia mais direta para equilibrar a correlação de forças no Legislativo. Nas últimas semanas, iniciou-se um processo de reconfiguração de cargos de segundo e terceiro escalões, com a demissão de indicados de parlamentares que não têm se alinhado às orientações do governo. Em seu lugar, vêm sendo nomeadas figuras próximas a nomes estratégicos: o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara, Arthur Lira, ex-presidente da Câmara e relator do projeto do IR, e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

O objetivo dessa movimentação é político: garantir o apoio de lideranças com capilaridade nas respectivas Casas e que possam integrar o palanque da candidatura de reeleição de Lula. Trata-se de um esforço para montar, com antecedência, a engrenagem político-partidária necessária para sustentar uma campanha competitiva, algo que o governo ainda não possui de maneira consolidada.

Se a estratégia se mostrar eficaz, o Executivo pode combinar três vetores poderosos: recuperação da popularidade, fragilidade da oposição, que segue dividida, e reconstrução de uma base política funcional. Essa convergência ampliaria significativamente o espaço político do governo e reduziria os riscos de instabilidade institucional no período pré-eleitoral. Por outro lado, caso a recomposição da base não avance, a tensão com o Congresso poderá persistir, impondo limites à agenda legislativa e obrigando o governo a operar com margem de manobra mais estreita.

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