CCBC coloca a diversidade no centro das decisões das empresas

Na 5ª edição do Fórum de Diversidade, Equidade e Inclusão especialistas defendem que os programas sobre o assunto melhorem a remuneração e a liderança corporativa

Por Pedro Augusto

Políticas, comitês e códigos de conduta sobre diversidade já fazem parte da rotina de boa parte das empresas. O que ainda falta é levar esses compromissos para onde as decisões de fato acontecem: salários, promoções, cargos de liderança e orçamento. Esse foi o recado central da 5ª edição do Fórum de Diversidade, Equidade e Inclusão da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), realizado em 24 de setembro, no auditório da entidade, em São Paulo.

Na abertura, o diretor-presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, reconheceu que as organizações avançaram na criação de estruturas, mas ainda tropeçam ao converter o discurso em remuneração, desenvolvimento e acesso a posições de comando. “A questão não é mais se as empresas devem investir em diversidade, mas como transformar diversidade em gestão, equidade em resultados e inclusão em mudança estrutural”, afirmou. Para ele, isso passa por metas, orçamento, avaliação de desempenho e pela própria remuneração da liderança.

Anfitrião do encontro, o presidente da CCBC, Hilton Nascimento, reforçou o tom. “Diversidade, equidade, inclusão e responsabilidade social precisam deixar de ser apenas intenções e ocupar o centro das decisões empresariais”, disse.

Políticas além do RH

Diante dos movimentos de retração da agenda em parte do mercado, Uelinton Costa, coordenador de Comunicação e Cultura da Santa Helena Alimentos, defende tirar as iniciativas do isolamento na área de Recursos Humanos. “Uma das principais maneiras de tornar a diversidade e inclusão algo inerente à cultura da empresa é colocá-la como um bloco no organograma da estratégia”, afirmou. Com base na experiência do programa Plural, criado pela empresa em 2023, ele recomenda acompanhar indicadores que mostrem o efeito das ações no negócio, o que ajuda a engajar a liderança.

O uso de dados também foi tema da palestra de Rafaela Silva, Business Development manager da Genetec Brasil. Segundo ela, as empresas já monitoram diversos indicadores do negócio, mas ainda exploram pouco essas ferramentas para identificar desigualdades. “O que as empresas veem é uma foto parada de algo”, afirmou. Ela alertou ainda que tecnologia e inteligência artificial podem reproduzir vieses e precisam passar por avaliações.

Para Grácia Fragalá, vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), a pauta precisa chegar à alta liderança e aos conselhos, justamente onde está o principal gargalo. “Faltam duas coisas: apoio da liderança e orçamento. Uma consequência da outra”, resumiu.

Refugiados: muito além da vulnerabilidade

No debate sobre refugiados, Thaís Menezes, head de Proteção e Integração dos Refugiados do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), apontou que parte das barreiras começa na narrativa, que costuma apresentar essas pessoas apenas pela vulnerabilidade, e não pelas competências que trazem. “Essas pessoas têm capacidades, experiências e expertises que contribuem muito para os países aonde chegam”, afirmou.

Como exemplo do ganho em inovação e produtividade, ela citou a chegada de venezuelanos ao Brasil. Entre eles, havia engenheiros de petróleo justamente num momento em que o País precisava desse conhecimento. O Fórum de Diversidade, Equidade e Inclusão da Câmara da CCBC contou também com a presença da cônsul-geral do Canadá em São Paulo, Joanne Lemay. O evento contou com o patrocínio da Vale Base Metals na modalidade Ouro, Lundin Mining, BRP e Maneira Advogados na modalidade bronze.

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