O Canadá exige diferentes autorizações e processos, que variam de acordo com o perfil e o objetivo do candidato
Por Pedro Augusto
O Canadá está entre os destinos mais procurados por brasileiros que desejam estudar, trabalhar ou construir uma trajetória profissional no exterior. Com dois idiomas oficiais – inglês e francês –, o país reúne sistema de saúde público universal para residentes elegíveis, elevado índice de desenvolvimento humano e mercado de trabalho diversificado. No entanto, esses atrativos convivem com custo de vida elevado, sobretudo nas grandes cidades, e o clima rigoroso, fatores que pesam na decisão de quem pensa em se mudar para lá.
Para quem pretende deixar o Brasil, porém, não existe um único visto para morar no Canadá. As possibilidades dependem do objetivo da viagem e do perfil do candidato, e passam por caminhos como a permissão de estudos, a autorização temporária de trabalho, o Express Entry, os programas de nomeação provincial e o patrocínio familiar.
Segundo William Bertaiolli, coordenador da Comissão de Educação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), o cenário também é favorável para brasileiros que pretendem estudar no país. Ele informa que o processamento do visto de estudante do Brasil está super rápido. “Os índices de aprovação de estudantes brasileiros para o Canadá são altos, acima de 80%”, disse. “Então, se você tiver um agente autorizado apoiando você com esse processo, eu tenho certeza que ele vai fluir muito bem.”
Estudo pode ser porta de entrada para o país
Uma das alternativas para brasileiros é a permissão de estudos (Study Permit). Para Rafael Carvalho, cofundador e CFO da SOS Canadá & Mundo dos Vistos, essa é uma das portas de entrada para quem enxerga o país como parte de um projeto mais amplo. “Muitas pessoas procuram o Canadá pela segurança, qualidade de vida e educação, mas também pela possibilidade de construir um projeto de vida por meio dos estudos e da experiência profissional.” Para solicitá-la, é necessário ter carta de aceite de uma instituição de ensino designada pelo governo canadense, conhecida como Designated Learning Institution (DLI), além de comprovar recursos financeiros suficientes para custear os estudos, a permanência e o transporte.
Desde setembro de 2025, o governo canadense exige que um estudante que viaje sozinho para qualquer província ou território fora do Québec demonstre, além de outros custos, pelo menos CAD 22.895 (cerca de R$ 85 mil) para despesas de subsistência durante o primeiro ano. O valor é atualizado anualmente e não inclui mensalidades nem transporte.
Essa permissão também pode autorizar que estudantes elegíveis trabalhem durante o período de estudos, respeitando as condições estabelecidas pelo governo. Hoje, o limite para trabalho fora do campus é de até 24 horas semanais durante os períodos de aulas.
Após a formação, parte dos estudantes pode se qualificar para o Post-Graduation Work Permit (PGWP), permissão de trabalho após a conclusão dos estudos, que permite trabalhar no Canadá. Para programas de mestrado com pelo menos oito meses de duração, por exemplo, é possível solicitar um PGWP de até três anos, desde que os demais requisitos sejam cumpridos.
Express Entry é uma das principais vias para imigração permanente
Para profissionais qualificados, uma das principais alternativas é o Express Entry, sistema utilizado pelo governo canadense para administrar candidaturas à residência permanente em três programas federais: Canadian Experience Class, Federal Skilled Worker Program e Federal Skilled Trades Program.
O sistema funciona por meio de um ranking. O candidato cria um perfil e entra em um grupo de interessados, que são classificados pelo Comprehensive Ranking System (CRS). A pontuação considera fatores como idade, escolaridade, domínio dos idiomas oficiais e experiência profissional, entre outros. Nas rodadas de convite, os candidatos mais bem classificados podem ser chamados para solicitar a residência permanente.
O domínio do inglês ou do francês pode ter peso significativo na pontuação. Entre os exames aceitos estão o International English Language Testing System (IELTS) e o Canadian English Language Proficiency Index Program (CELPIP) para inglês, além do Test d’évaluation de français (TEF) e do Test de connaissance du français (TCF) para francês. A formação acadêmica realizada fora do Canadá também pode precisar passar por uma Educational Credential Assessment (ECA), avaliação que verifica a equivalência da qualificação estrangeira no sistema canadense.
Outro ponto importante é que as regras do Express Entry mudaram nos últimos anos. Desde março de 2025, por exemplo, ofertas de emprego deixaram de gerar pontos adicionais no CRS, embora uma oferta de trabalho continue sendo requisito de elegibilidade em alguns programas e fluxos específicos.
Nomeação provincial pode aumentar a pontuação
Outra possibilidade é o Provincial Nominee Program (PNP), pelo qual províncias e territórios selecionam candidatos de acordo com suas necessidades específicas de mão de obra. Cada localidade possui critérios e fluxos próprios.
Quando a nomeação ocorre por meio do Express Entry, o candidato recebe 600 pontos adicionais no CRS, o que pode aumentar significativamente suas chances de receber um convite para solicitar a residência permanente.
A nomeação, no entanto, não equivale automaticamente a uma autorização para trabalhar no Canadá. Quem precisa trabalhar enquanto aguarda o processo de residência permanente deve verificar se também precisa solicitar uma permissão de trabalho.
Permissão de trabalho e patrocínio familiar
O Canadá também possui autorizações temporárias para estrangeiros que pretendem trabalhar no país. O interesse, segundo Carvalho, da SOS Canadá & Mundo dos Vistos, parte de perfis diferentes e vai além de uma experiência profissional temporária. “O público é bastante diverso, desde jovens que querem estudar no Canadá até profissionais e famílias que buscam novas oportunidades para construir uma trajetória no país.”
Em determinados casos, a contratação exige uma Labour Market Impact Assessment (LMIA), avaliação de impacto no mercado de trabalho utilizada para verificar se a contratação de um trabalhador estrangeiro é necessária diante da disponibilidade de profissionais no mercado canadense.
Para quem já possui experiência profissional no Canadá, o trabalho realizado legalmente no país também pode contribuir para uma futura candidatura à residência permanente por programas como o Canadian Experience Class.
Outra alternativa é o Family Sponsorship, programa que permite que cidadãos canadenses e residentes permanentes patrocinem determinados familiares, como cônjuges e filhos dependentes e, em situações específicas, pais e avós. O patrocinador assume compromissos financeiros e precisa atender aos critérios estabelecidos para a categoria.
Documentação exige planejamento
Embora os documentos variem conforme a modalidade, processos de imigração costumam envolver passaporte válido, formulários do governo canadense, comprovação financeira e documentos relacionados à formação e à experiência profissional.
A definição do caminho precisa considerar o objetivo e as características de cada candidato. “As regras canadenses estão mais seletivas e não existe um caminho que funcione para todo mundo; estudar, trabalhar e imigrar são projetos diferentes e exigem planejamento”, explica Carvalho. Dependendo da categoria, também podem ser exigidos teste de idioma, avaliação de diploma, certificado de antecedentes criminais, exame médico, carta de aceite de instituição de ensino, oferta de emprego ou nomeação provincial. No caso do Express Entry, por exemplo, o candidato pode precisar apresentar resultado válido de teste de idioma, ECA, documentos que comprovem a experiência profissional e comprovação de fundos, quando aplicável. Para estudantes, a documentação inclui a carta de aceite, prova de recursos financeiros e, nos casos em que a regra se aplica, PAL/TAL.
Por isso, antes de iniciar o processo, o candidato deve identificar qual é seu objetivo no país e verificar os requisitos específicos da categoria escolhida. As regras de imigração canadenses passam por atualizações frequentes, e valores, critérios e programas podem mudar ao longo do tempo.

