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Planejamento de carreira, atenção ao orçamento e apoio de instituições como a da Câmara de Comércio Brasil-Canadá fazem toda a diferença na jornada acadêmica no exterior
Por Pedro Augusto
O Canadá é um dos destinos favoritos de estudantes brasileiros em busca de formação internacional e de novas oportunidades de carreira. O país lidera há mais de uma década o ranking de destinos mais procurados por quem deseja estudar fora. A informação é da Associação Brasileira Especializada em Educação Internacional (Belta). Ela aponta que, entre as pessoas que procuram intercâmbio no exterior, 28% citam esse destino como o de preferência.
Mas, entre o sonho e a realidade, há uma série de etapas que exige atenção dos estudantes e que vai desde a escolha do curso até o planejamento financeiro. Sem a preparação adequada, a boa experiência pode se transformar em uma sequência de perrengues nada agradáveis.
Para ajudar quem deseja estudar no país, Diego Bitencourt, presidente da Alumni Canada-Brazil e co-coordenador da Comissão de Educação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), compartilha dicas valiosas para os alunos viajantes não caírem em ciladas.
A primeira recomendação é ter clareza sobre os próprios objetivos de carreira. “Se tem uma graduação, vai seguir se especializando ou pretende mudar totalmente de área?”, indaga Bitencourt. Ao responder esta questão surgirá um direcionamento que vai influenciar no objetivo do aluno, na escolha do curso e da instituição, além dos caminhos profissionais possíveis no país.
Bitencourt também recomenda a pessoa a priorizar áreas com maior demanda por profissionais no mercado canadense. Isso pode facilitar a permanência no país, mesmo após os estudos. Além disso, é preciso considerar que cursos em instituições canadenses costumam ter mensalidades mais altas para estrangeiros. Há, no entanto, uma saída para esse possível obstáculo. “Existem bolsas e ações específicas para estudantes internacionais, inclusive, fora dos grandes centros, em cidades menores, com custo de vida mais acessível”, comenta. “É preciso pesquisar”, emendou.
Outro fator essencial é o planejamento financeiro. Para obter o visto de estudante é necessário comprovar capacidade de arcar com os estudos, moradia, alimentação, transporte e até passagens aéreas. Esse valor pode ultrapassar 20 mil dólares canadenses por ano (aproximadamente R$ 74 mil), dependendo do curso e da cidade escolhida.
De acordo com Bitencourt, muitos estudantes subestimam o custo de vida que terão ao estudar fora. Em cidades como Toronto ou Montreal, o aluguel de um quarto pode variar entre 1.500 e 2.000 dólares canadenses (aproximadamente R$ 5.550 a R$ 7.400).
Já em cidades menores, o valor pode ficar entre 1.300 e 1.800 dólares canadenses (em torno de R$ 4.810 a R$ 6.660), dependendo da região. “É preciso fazer conta; às vezes, morar longe pode reduzir o valor do aluguel, mas aumentar os gastos com transporte.”
A moradia também exige atenção especial. Opções como residências estudantis, casas de família (homestay) e apartamentos compartilhados estão entre as alternativas mais comuns. Cada modelo tem vantagens e desvantagens. A decisão deve considerar o tempo de permanência e o perfil do estudante. Bitencourt destaca que o ideal é nunca fechar contrato à distância, exceto se for por meio da universidade ou de imobiliárias reconhecidas, para evitar golpes.
Para quem planeja conciliar estudo e trabalho, o Canadá permite que estudantes atuem em atividades remuneradas por até 25 horas semanais durante o período letivo. Durante as férias, os alunos podem trabalhar em período integral. “Geralmente são vagas entry level, mas, dependendo da experiência, é possível conseguir algo mais qualificado — especialmente se o estudante tiver um currículo ajustado ao modelo canadense”, afirma.
Ao longo da jornada, contar com redes de apoio pode fazer toda a diferença. A CCBC, por exemplo, disponibiliza em seu site uma série de informações úteis por meio da Comissão de Educação, além de conectar estudantes com instituições canadenses, e promove eventos como o Canada Day, que aproximam brasileiros da cultura e da educação do país.
No fim das contas, estudar no Canadá exige organização prática, preparação emocional e adaptação cultural. “A pessoa deve ter uma cabeça aberta para uma sociedade com uma cultura muito diversificada que se interagem o tempo todo”, diz Bitencourt.

