Menu comandado por Rui Morschel contou com pratos típicos do Brasil e ingredientes do sul do País durante missão internacional
Por Pedro Augusto
O que liga um engenheiro de produção que trabalhou no mercado financeiro a um jantar tipicamente brasileiro servido a empresários e diplomatas canadenses em Montreal? No caso de Rui Morschel, a resposta está na paixão pela cozinha e na valorização da cultura alimentar. Foi a mudança dessa rota profissional, marcada por algumas promoções de cargo em bancos no início de sua carreira, a chef que fez dele um renomado especialista do setor de gastronomia do Brasil e convidado para mostrar sua arte na SIAL Canadá, uma das maiores feiras alimentícias da América do Norte.
A convite da Invest Paraná, em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) e o Consulado-Geral do Brasil no Canadá, o paranaense Rui comandou o jantar de abertura da missão brasileira realizada durante a Sial. O evento reuniu cerca de 90 convidados entre empresários, representantes comerciais, diplomatas e imprensa local.
A proposta do jantar era transformar produtos brasileiros em experiência. Todos os pratos servidos utilizaram ingredientes apresentados por empresas parceiras da missão comercial. A ideia era mostrar não apenas os sabores do País, mas também o potencial dos produtos brasileiros no mercado internacional. “O meu papel foi mostrar o produto, valorizar o produto, fazê-los comerem bem e também mostrar a usabilidade daquele alimento”, resume o chef.
O menu foi pensado como uma viagem gastronômica pelo Brasil. Entre os pratos servidos estavam bolinho de feijoada, carne de onça — preparo típico curitibano —, moqueca compartilhada e escondidinho com purê de mandioca. Geleias, meles multiflorais, camarões empanados e queijos vegetais também foram incorporados às receitas.
Segundo o especialista, o processo criativo começou pela escolha de pratos considerados icônicos da culinária brasileira. Depois vieram as adaptações e a conexão com os ingredientes levados pelas empresas participantes da missão.
A feijoada, por exemplo, ganhou formato de entrada e virou bolinho. Já a moqueca foi servida para compartilhar entre os convidados, reforçando a ideia de coletividade presente na cultura alimentar brasileira.
Engenheiro de produção de formação, Rui decidiu mudar de carreira após participar de um reality show gastronômico, exibido na TV, em 2018. Desde então, passou a produzir conteúdo sobre o assunto, turismo e cultura alimentar, com foco especial no Paraná e nas indicações geográficas brasileiras.
Hoje, o chef atua na divulgação de produtos regionais e participa de ações de promoção da gastronomia brasileira dentro e fora do país. “Quando você vê alguém experimentando um bolinho de feijoada sem nunca ter comido feijão na vida, ou conhecendo mandioca pela primeira vez, você percebe o tamanho da riqueza da nossa gastronomia”, afirma.
Para Rui, experiências como a realizada no Canadá auxiliam os próprios brasileiros a reconhecerem o valor da cultura alimentar nacional. “Primeiro a gente precisa valorizar a nossa cultura, conhecer o que está perto da gente” diz. “Esse hábito ajuda a reverberar o que temos de bom para outras localidades também”, conclui.

