Brasil investe na agenda estratégica da mineração após PDAC 2026

Agenda discutida em Brasília aponta desafios em regulação, competitividade e inserção global diante da crescente disputa por investimentos

Por Pedro Augusto

O encontro Pós-PDAC 2026, realizado neste mês, em Brasília, indicou um movimento de reposicionamento estratégico da mineração brasileira no cenário internacional, com foco em governança, atração de investimentos e integração às cadeias globais. Promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), em parceria com o escritório de advocacia Mattos Filho e Innova Assuntos Públicos, o evento reuniu representantes do setor público e privado para discutir os principais sinais trazidos pela agenda internacional e alinhar prioridades para o desenvolvimento do setor no país.

A Prospectors & Developers Association of Canada (PDAC), que ocorre anualmente em Toronto, é a principal convenção mundial da indústria de mineração, reunindo empresas, investidores, governos e instituições financeiras para discutir financiamento, regulação e tendências do setor. O encontro em Brasília funcionou como um desdobramento dessas discussões, trazendo para o contexto brasileiro os principais temas debatidos no cenário global, em um momento em que a mineração ganha peso crescente nas estratégias econômicas e geopolíticas.

Para o diretor-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Hilton Nascimento, o momento exige maior articulação entre os diferentes atores do setor. “O Brasil tem avançado de forma consistente, mas ainda precisa alinhar melhor suas políticas e sua comunicação com o mercado internacional para aproveitar plenamente as oportunidades que estão se abrindo.”

Os painelistas do evento detalharam os principais temas em discussão no cenário internacional e seus desdobramentos para o Brasil. O PDAC 2026 – Tendências Globais e Oportunidades para o Brasil reuniu Pablo Cesário, do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Monica Cesar, da Vale Base Metals, e Marcos Vale, da Apex Brasil, com moderação de Tiago Mattos, do Demarest Advogados e coordenador do Chapter Minas Gerais da CCBC.

Os debates apontaram para uma demanda global sustentada por minerais impulsionada pela transição energética e pelo avanço tecnológico, além da necessidade de maior previsibilidade regulatória em escala internacional. Também foi destacado que o Brasil possui vantagens competitivas relevantes, mas ainda enfrenta gargalos, especialmente na agregação de valor e no processamento mineral.

Já o painel O Futuro da Mineração no Brasil – Perspectivas do Setor após a PDAC 2026 reuniu Isabela Cunha, da Lundin Mining Brasil, Cinthia Rodrigues, do IBRAM e da Women In Mining (WIM), e Saulo Fernando Ribeiro, das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), com moderação de Adriano Drummond Trindade, do Mattos Filho.

A discussão abordou o ambiente institucional brasileiro, considerado maduro para investimentos, mas ainda desafiado por questões como licenciamento ambiental e previsibilidade de prazos. Também ganhou destaque o aumento do interesse internacional no país e a necessidade de ampliar a participação do capital privado, além da crescente relevância de minerais estratégicos, como o urânio, no contexto da transição energética.

Participaram também do encontro em Brasília Ron Klappholz, oficial sênior de comércio da embaixada do Canadá no Brasil; Mauro Henrique Moreira Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM); Anderson Arruda, diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia; Diego Herrera de Moraes, sócio do Mattos Filho Advogados e co-coordenador do Chapter da CCBC em Brasília; e Leonardo Machado, gerente-executivo de Relações com Associados e Institucionais da CCBC.

Missão empresarial no Canadá amplia conexões estratégicas

Antes do encontro em Brasília, a CCBC liderou uma missão empresarial durante a PDAC 2026, em Toronto, voltada à promoção de projetos brasileiros e à aproximação com investidores internacionais. A programação incluiu participação em eventos, reuniões com stakeholders do mercado financeiro e iniciativas de networking com empresas globais do setor.

A presença brasileira no evento é estratégica para ampliar conexões e atrair capital. “A participação na PDAC permite posicionar o Brasil de forma mais assertiva junto a investidores e parceiros internacionais, além de fortalecer o diálogo com mercados que são referência para o setor mineral”, ressaltou Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC.

A delegação reuniu representantes de projetos minerais e empresas com atuação no país, como a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), a Strato e o Ferreira Alegria Advogados. Também participaram especialistas do ambiente regulatório, como Azevedo Sette Advogados e William Freire Advogados, além da Oretec. Entre os players internacionais presentes esteve ainda a Pan American Silver.

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