Por Fernanda Arbex e Igor Andrade, Sócios da Innova Assuntos Públicos*
O ano de 2026 será, mais uma vez, decisivo para os rumos políticos e institucionais do Brasil. Com a realização de eleições gerais, o país escolherá presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. O calendário impõe uma dinâmica própria ao Legislativo e ao Executivo, marcada por polarização crescente, rearranjos políticos e agendas legislativas intermitentes, alternando períodos de baixa produtividade com semanas de esforço concentrado.
No centro da disputa estará a eleição presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece hoje como favorito à reeleição, ancorado na força de sua presença nacional e na retomada recente de sua popularidade, segundo diversos institutos de pesquisa. A oposição, por sua vez, segue fragmentada. A figura do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda mobiliza um eleitorado expressivo, mas sua inelegibilidade dificulta a organização de uma candidatura unificadora no campo conservador e sua indicação para que Flávio Bolsonaro seja candidato ainda não é unanimidade na direita. A tendência é de que a eleição mantenha o traço central da política brasileira nos últimos anos: a polarização como estrutura dominante, mesmo que sob novas roupagens, em uma disputa aberta para ambos os lados.
Outro ponto de atenção será a disputa por vagas no Senado Federal. Dois terços da Casa estarão em jogo, e o pleito ganhará destaque em razão do movimento do governo de lançar diversos ministros como candidatos. Ao menos 20 nomes da Esplanada são cotados para disputar cargos eletivos, com foco especial nas vagas ao Senado. A estratégia busca ampliar a base de apoio no Congresso a partir de 2027, em um movimento que também mobiliza a oposição, que mira o Senado como espaço institucional prioritário para conter ou redirecionar agendas do Executivo e do Judiciário.
A Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas estaduais também passarão por renovação. No Congresso Nacional, espera-se que 2026 seja um ano de funcionamento escalonado. A agenda legislativa deverá ser organizada em torno de semanas de esforço concentrado, voltadas à votação de matérias previamente articuladas pelas lideranças partidárias. Nesse cenário, as pautas com maior consenso político tendem a avançar, enquanto temas mais sensíveis deverão ser postergados ou negociados em ritmo mais lento.
Entre os temas com maior probabilidade de destaque estão a PEC da segurança pública, o projeto de lei que trata do combate a facções criminosas, a regulação da inteligência artificial e a proposta de um regime tributário diferenciado para data centers, tema que mobiliza setores de infraestrutura digital e economia de inovação. No Senado, poderá entrar em pauta a sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, cujo processo ainda depende de articulação política para avançar, após resistência inicial à sua indicação por parte de lideranças da Casa.
O ambiente político de 2026 será, portanto, marcado por uma combinação de disputa intensa e negociações estratégicas. De um lado, o Executivo buscará preservar capital político e ampliar sua base legislativa. De outro, o Congresso operará com foco no calendário eleitoral, o que impõe desafios à aprovação de projetos estruturantes. Para o setor produtivo, será um ano de atenção redobrada: embora os ciclos eleitorais imponham incertezas, também abrem espaço para reposicionamentos e oportunidades de médio prazo.
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