Por Joanne Lemay, cônsul-geral do Canadá em São Paulo
Neste ano, Canadá e Brasil comemoraram 85 anos de relações diplomáticas — uma ocasião que convida à celebração de uma parceria cada vez mais sólida, dinâmica e relevante em um mundo em rápida transformação.
As últimas semanas e meses foram uma demonstração contundente da profundidade e da vitalidade desse relacionamento. Um marco importante ocorreu em 14 de julho, com a visita da ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, que veio ao Brasil para copresidir o Diálogo de Parceria Estratégica, realizado a cada dois anos, ao lado de seu homólogo brasileiro, Mauro Vieira, do Itamaraty.
Durante a visita, a ministra reafirmou o compromisso dos dois países em ampliar a cooperação em áreas prioritárias, como comércio e investimentos, ciência e tecnologia, energia, mineração, desenvolvimento sustentável, defesa e ação climática. O encontro também reforçou a importância atribuída por ambos os países ao avanço das negociações para um acordo de livre comércio entre o Canadá e o Mercosul, bem como ao aprofundamento da cooperação econômica em um momento em que parcerias internacionais confiáveis são mais importantes do que nunca.
Os resultados da visita demonstraram uma relação orientada por ações concretas. Em declaração conjunta, Canadá e Brasil anunciaram novas frentes de cooperação, incluindo um acordo de cooperação aduaneira, um memorando de entendimento para cooperação na área da saúde e outro voltado à integridade da informação, ao combate à desinformação e à promoção do jornalismo e da liberdade de imprensa. A ministra também anunciou investimentos de 125 milhões de dólares canadenses em infraestrutura sustentável no Brasil, por meio da FinDev Canada, a instituição financeira de desenvolvimento do governo canadense.

A visita da ministra deu continuidade ao impulso que venho acompanhando em primeira mão desde a vinda do ministro do Comércio Internacional do Canadá ao Brasil, em agosto do ano passado, e desde minha chegada a São Paulo, em outubro do mesmo ano. Nesse período, recebemos também três ministros provinciais canadenses — de Ontário, Saskatchewan e Québec —, todos com agendas e objetivos sólidos voltados à diversificação do comércio e ao fortalecimento da nossa autonomia compartilhada.

Assim como nessas visitas, o governo do Canadá no Brasil conta com o apoio de parceiros como a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) para nos ajudar a celebrar as relações bilaterais. Os eventos do Dia do Canadá deste ano, realizados em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, são um exemplo desse trabalho conjunto!
Na recepção em Brasília, a Embaixada do Canadá recebeu mais de 300 convidados, entre representantes do governo federal e parceiros estratégicos de diversos segmentos da sociedade brasileira. O evento destacou a presença econômica canadense no Brasil e os laços entre nossos povos, que servem de base para uma colaboração cada vez mais ampla.
Em São Paulo, a diplomacia cultural ganhou destaque com a estreia da versão em português do aclamado musical canadense Come From Away (Vindos de Longe). O espetáculo foi o cenário da celebração do Dia do Canadá, reunindo parceiros, amigos e amantes do teatro em uma noite marcada pela cooperação, diversidade, inclusão e espírito de comunidade. A apresentação contou ainda com a presença de um representante da Real Polícia Montada do Canadá, que viajou de Iqaluit, em Nunavut, especialmente para a ocasião.
A diplomacia esportiva também foi uma das formas de destacar nossas parcerias neste ano. No Rio de Janeiro, o Consulado-Geral do Canadá promoveu uma celebração em homenagem ao Dia do Canadá que coincidiu com o dia e horário da partida da seleção canadense contra o Catar pela Copa do Mundo da FIFA 2026™. Ao mesmo tempo em São Paulo, o Consulado-Geral do Canadá, em parceria com o Consulado-Geral do Catar e a CCBC, reuniu mais de 120 lideranças dos setores empresarial, governamental e da sociedade civil no Museu do Futebol para um encontro de networking durante a transmissão da partida entre Canadá e Catar.

Esses encontros demonstraram como o esporte pode servir como plataforma para o diálogo, a construção de parcerias e a aproximação econômica, ao mesmo tempo em que evidenciaram a preparação do Canadá para receber o mundo e ampliar seus laços comerciais com o Brasil. Juntas, essas iniciativas esportivas recentes evidenciam uma relação bilateral que continua a evoluir e a gerar resultados, enquanto voltamos nosso olhar para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™, que o Brasil sediará no próximo ano.
O Canadá e o Brasil são democracias distintas, com economias globalmente integradas, abundância de recursos naturais, setores privados inovadores e um compromisso comum com o crescimento sustentável. À medida que o mundo se adapta às mudanças econômicas e geopolíticas, a importância de contar com parceiros confiáveis nunca foi tão grande.
O comércio e os investimentos permanecem no centro dessa parceria. Há gerações, empresas canadenses contribuem para o desenvolvimento do Brasil, e hoje os investimentos do Canadá continuam impulsionando setores que vão da infraestrutura e mineração à energia e tecnologias limpas. Ao mesmo tempo, empresas brasileiras enxergam cada vez mais o Canadá como um destino seguro para investimentos e uma porta de entrada para os mercados norte-americano e global. Nossa cooperação também avança em áreas que ajudarão a moldar a economia do futuro.
Oitenta e cinco anos após o estabelecimento das relações diplomáticas, o Canadá e o Brasil continuam encontrando novas formas de trabalhar em conjunto. Os êxitos das últimas semanas e meses demonstram que essa parceria não é definida apenas por sua história, mas por sua capacidade de evoluir, criar oportunidades e gerar benefícios concretos para canadenses e brasileiros.
Ao celebrarmos este importante marco, o fazemos com otimismo. A relação entre o Canadá e o Brasil é sólida, voltada para o futuro e repleta de potencial. Com o apoio de organizações como a CCBC, comprometidas com o fortalecimento dessa parceria, o próximo capítulo promete ser ainda mais ambicioso do que o anterior.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da CCBC sendo de inteira responsabilidade do autor que assina este conteúdo.

