Como a conexão Brasil-Canadá avança em um dos principais polos do agronegócio

Com avanço do comércio bilateral e da agricultura digital, Ribeirão Preto ganha protagonismo em discussões sobre inovação e futuro do agronegócio

Por Pedro Augusto

Sede da Agrishow, que ocorreu entre 27 de abril e 1º de maio, e polo de uma vibrante agenda tecnológica, a região de Ribeirão Preto, no interior paulista, estreita laços internacionais e desponta como um dos principais palcos nacionais para o debate sobre o futuro do agronegócio. Esse protagonismo regional reflete diretamente a força do campo brasileiro, que acumula recordes comerciais e desperta o interesse estratégico do Canadá. O objetivo mútuo é acelerar a transformação estrutural do setor por meio da agricultura digital, inteligência de dados e conectividade rural.

O amadurecimento dessa relação resultou em números históricos na balança comercial logo no início deste ano. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado canadense cresceram 2%, marca que garantiu o maior resultado já registrado para o período: US$ 1,83 bilhão. O agro lidera essa pauta com produtos de forte peso na economia, como café verde, açúcar e carne bovina.

Desse montante global, o protagonismo regional também se confirma na prática: de acordo com o Comex Stat, do Governo Federal, Ribeirão Preto foi responsável por exportar US$ 82,4 milhões em produtos do agro nos três primeiros meses do ano, consolidando a região como um motor essencial das vendas externas.

Por outro lado, o Brasil ampliou em 37% as importações vindas do Canadá, segundo dados do Quick Trade Facts, estudo feito pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá. Esse movimento foi puxado essencialmente pelos fertilizantes canadenses, que hoje representam cerca de 44% de toda a pauta importada pelo país. Neste papel de comprador, a cidade referência em agro, do interior paulista, investiu mais de US$ 161 milhões.

O papel estratégico dos fertilizantes

Essa relação comercial revela-se cada vez mais complementar e vital para a produtividade nacional. Como o Plano Nacional de Fertilizantes aponta que o Brasil importa cerca de 85% dos insumos utilizados no campo, o país depende de parceiros internacionais robustos para garantir fornecimento, estabilidade e competitividade ao setor.

Nesse cenário de busca por segurança alimentar global, o Canadá ocupa uma posição estratégica fundamental, sendo um dos principais produtores mundiais de potássio — matéria-prima essencial para que os polos produtivos brasileiros mantenham seus altos índices de produtividade.

O protagonismo da CCBC

É exatamente na intersecção entre a necessidade de insumos e o potencial tecnológico que a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) desempenha seu papel fundamental. Mais do que acompanhar a balança comercial, a Câmara atua de forma prática para aproximar empresas, produtores e investidores dos dois países.

Esse trabalho ganha força também no ecossistema de Ribeirão Preto. Por meio de sua Comissão de Agronegócio e de seu chapter regional, a CCBC fomenta o diálogo contínuo que atrai o interesse de delegações internacionais, tendo como seu principal parceiro nessas iniciativas o Governo do Canadá, por meio dos seus consulados de São Paulo e Rio de Janeiro. Prova disso é que, em 2026, empresas canadenses participaram de missão de agtech na região promovida pelo consulado canadense de São Paulo, que focou em trazer soluções de agricultura de precisão, inteligência artificial, sensores e sustentabilidade para o dia a dia do produtor local. A visita contou com o apoio da CCBC por intermédio do Chapter de Ribeirão Preto.

Na Agrishow 2026 — que reuniu cerca de 197 mil visitantes —, a CCBC marcou presença ativa, promovendo conexões de negócios em setores altamente estratégicos para a integração dos dois mercados, como softwares, máquinas, equipamentos e, essencialmente, o mercado de fertilizantes.

“Brasil e Canadá vivem um momento estratégico no agronegócio, com mercados complementares em inovação, segurança alimentar e fertilizantes”, destaca Hilton Nascimento, diretor-presidente e um dos coordenadores da Comissão de Agronegócio da CCBC. “Nesse cenário, Ribeirão Preto se consolidou como o ponto de encontro ideal para debatermos o futuro do campo e gerarmos novas oportunidades de negócios”, emenda.

Próximos Passos na Agenda Bilateral

O compromisso da CCBC em liderar essa transformação segue intenso ao longo de 2026. Em julho, a Câmara participará da Ag in Motion, feira realizada na província de Saskatchewan, no Canadá, considerada um dos principais encontros do agronegócio da América do Norte. Já em novembro, o agronegócio será um dos temas centrais do Summit Brazil-Canada 2026, consolidando discussões cruciais sobre tecnologia, investimentos, segurança alimentar e o futuro da produção agrícola global.

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