Iniciativa pode ser considerada um marco na transparência da arbitragem; antes de ser feita qualquer publicação, revisão ocorre por profissionais do setor
Por Marcelo Picolo
O Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CAM-CCBC) e a Jus Mundi, plataforma de tecnologia jurídica que usa inteligência artificial para fornecer acesso a bancos de dados globais de direito internacional e arbitragem, lançaram acesso gratuito e aberto à sua coleção abrangente de resumos de sentenças arbitrais gerados por Inteligência Artificial.
A coletânea representa um novo padrão para a transparência da arbitragem. Criados com o Jus AI, agente de arbitragem da Jus Mundi, e verificados por profissionais que conhecem o setor, revisão feita para garantir a precisão em toda redação dos resumos, esses resumos oferecem acesso a insights arbitrais, mantendo a confidencialidade quando esta se faz necessária.
Inteligência democratizada
A iniciativa do CAM-CCBC e da Jus Mundi marca a primeira aplicação sistemática de IA que pensa a arbitragem para iniciativas de transparência. Cada resumo preserva o raciocínio sutil que define a análise arbitral de qualidade, ao mesmo tempo em que torna os principais insights jurídicos acessíveis a profissionais, árbitros, acadêmicos e estudantes em todo o mundo.
Os volumes futuros das sentenças arbitrais públicas também utilizarão exclusivamente a Jus AI, aproveitando seus recursos especializados desenvolvidos para arbitragem e sua capacidade comprovada de fornecer insights práticos.
Acesso com qualidade
As sentenças arbitrais públicas preservam a confidencialidade processual total, ao mesmo tempo em que amplia o acesso ao conhecimento sobre arbitragem por meio de resumos cuidadosamente anônimos e gerados por IA, criados com os recursos especializados da Jus AI.
A Jus AI compreende a complexidade da arbitragem de maneiras que a IA genérica não consegue igualar, garantindo que os resumos mantenham a precisão e as nuances essenciais para uma análise arbitral de qualidade.
O lançamento durante o XII Congresso de Arbitragem CAM-CCBC, que ocorreu nos dias 20 e 21/10, ressalta a importância dessa iniciativa de transparência para a comunidade arbitral brasileira e estabelece um precedente para adoção internacional.
Jean-Rémi de Maistre, CEO e cofundador do Jus Mundi, afirma que a plataforma está redefinindo a transparência por meio da Jus AI, a única IA criada especificamente para profissionais de arbitragem.
“Essa iniciativa está no centro de nossa missão à medida que trabalhamos em conjunto com instituições líderes, como o CAM-CCBC, para democratizar a inteligência em arbitragem sem comprometer a confidencialidade; não se trata apenas de tecnologia, mas também de criar um ecossistema de arbitragem mais acessível que atenda melhor a comunidade em geral”, disse.
De acordo com o presidente do CAM-CCBC, Rodrigo Garcia da Fonseca, a coleção marca um passo importante no compromisso contínuo da instituição em promover a transparência e a acessibilidade na arbitragem. “Ao combinar nossa experiência institucional com os recursos de IA de ponta da Jus Mundi, não estamos apenas expandindo o acesso ao conhecimento arbitral, mas também reforçando o papel do Brasil como líder em inovação na comunidade internacional de arbitragem”, afirmou.
“O lançamento desses resumos gerados por IA reflete nossa crença de que a tecnologia, quando usada com responsabilidade, pode fortalecer a confiança na arbitragem e aprimorar a forma como profissionais, acadêmicos e instituições se envolvem com o raciocínio arbitral”, emendou Fonseca.
Disponibilidade e impacto
A coleção já está disponível na plataforma da Jus Mundi. Volumes adicionais serão lançados com base no desenvolvimento dos casos e na colaboração institucional.
Esta iniciativa é fruto do anúncio da parceria entre as instituições que ocorreu em outubro de 2024, ampliando o compromisso do CAM-CCBC e da Jus Mundi com a transparência da arbitragem por meio de recursos especializados de IA.
Jus Mundi
A Jus Mundi é uma plataforma global de inteligência em arbitragem alimentada por Inteligência Artificial (IA). Criada por profissionais de arbitragem internacional, a empresa arquitetou sua plataforma de inteligência especificamente para as demandas exclusivas da arbitragem.
Aproveitando parcerias com mais de 100 instituições arbitrais, editoras e associações em todo o mundo, a Jus Mundi atende a mais de 650 equipes de arbitragem líderes por meio de três experiências integradas: Jus Mundi para pesquisa multilíngue, Jus Connect para seleção profissional e Jus AI para raciocínio agênico. Com sedes em Paris, Nova Iorque, Londres, Singapura e Cidade do México, a Jus Mundi está empenhada em promover a justiça global, democratizando o acesso à inteligência jurídica e arbitral em nível mundial.

