Projetos abordam temas como saúde, educação e tecnologia, com foco em boas práticas canadenses
Por Pedro Augusto
A produtora Cisne Negro Filmes, fundada em 2016, tem ampliado seu campo de atuação com projetos que pretendem cruzar fronteiras e alcançar o Canadá. Reconhecida por obras documentais de impacto social e ambiental, a instituição cinematográfica quer agora estreitar relações com empresas canadenses ou de qualquer outra nacionalidade que atuam no Brasil e que tenham interesse em projetos audiovisuais. Os documentários serão gravados a partir de parcerias que surgirem por meio das leis de incentivo fiscal à cultura.
Segundo Fabrício Rinaldi, diretor e produtor executivo da produtora, a aproximação com a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) surgiu para estreitar laços com empresas canadenses e ampliar suas possibilidades de atuação. “Sou apaixonado por aquele país; já viajei para lá e vejo o quanto está à frente em diversas pautas sociais de gestão pública e tecnológicas”, afirmou.
A principal base legal utilizada pela Cisne Negro Filmes para viabilizar seus projetos é a Lei do Audiovisual (Lei nº 8.685/1993), especialmente por meio do Artigo 1º-A, inserido pela Medida Provisória nº 2.228-1/2001. Esse dispositivo permite que empresas tributadas com base no lucro real deduzam até 100% do valor investido em obras audiovisuais brasileiras aprovadas pela Ancine (Agência Nacional do Cinema) do seu IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica) devido.
Para isso, o valor aportado é depositado diretamente em uma conta vinculada ao projeto cultural, sob gestão da Ancine. Trata-se de uma forma de o contribuinte direcionar parte do seu imposto federal para o fomento da cultura nacional, com contrapartidas institucionais, sociais ou de visibilidade — desde que respeitados os critérios técnicos e regulatórios da agência.
“A empresa não deixa de pagar o imposto, mas direciona parte desse valor a um projeto cultural, ganhando visibilidade, fortalecendo sua imagem institucional e podendo até receber contrapartidas, como vídeos institucionais ou ações de engajamento interno”, explica Rinaldi.
Além da lei federal do audiovisual, o ProAC-ICMS (estadual) e a Promac (municipal) também são outras que a Cisne Negro se ampara para captar recursos. Por essas legislações, empresas que operam no regime de lucro real e tenham CNPJ no Brasil também podem deduzir até 100% do valor investido de seus impostos estaduais e municipais ao financiar projetos culturais previamente aprovados pela Ancine ou pelas secretarias de cultura estadual e municipal. São os casos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) e o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).
Entre os mais de dez projetos ativos da Cisne Negro Filmes, diversos têm conexão direta com o Canadá, seja como cenário de gravações, seja como referência temática. É o caso de Vida Sem Câncer – A Série, que aborda tratamentos complementares e alternativos no enfrentamento da doença, com um episódio dedicado ao uso do canabidiol e gravações previstas em solo canadense. Já Seu Corpo, Sua Casa trata de saúde preventiva e alimentação orgânica, destacando a regulação de agrotóxicos e o incentivo à agricultura familiar em países como o Canadá.
O documentário Dublagem: Uma Arte Ainda Viva discute os impactos da inteligência artificial sobre a dublagem tradicional, citando o Canadá como exemplo de nação que já avançou na regulamentação dessa tecnologia. Outro projeto, O SUS é Nosso, propõe uma análise comparativa entre o sistema público de saúde brasileiro e modelos internacionais, especialmente o canadense, ressaltando as vantagens de um serviço universal e gratuito. Por fim, há também um documentário educacional voltado a estudantes brasileiros, que busca retratar a experiência de intercâmbio no Canadá e os impactos transformadores dessa vivência na formação pessoal e profissional.
Apesar do portfólio diversificado e da chancela de entidades como a Ancine, a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI) e a própria CCBC, a produtora ainda enfrenta dificuldades para apresentar os projetos diretamente a tomadores de decisão em empresas canadenses. “Sabemos que essas empresas pagam impostos no Brasil e poderiam se beneficiar ao associar suas marcas a conteúdos relevantes e com presença em plataformas de streaming; o desafio é conseguir uma conversa direta”, comenta Rinaldi.
Além de promover valores ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, os projetos da Cisne Negro Filmes também oferecem retorno institucional e de posicionamento às marcas parceiras, com potencial de exibição em serviços de streaming e outras plataformas sob demanda como Apple TV, Prime Vídeo e Netflix.
Para empresas interessadas em apoiar ou conhecer melhor os projetos, o contato pode ser feito diretamente com a produtora. Informações e contatos podem ser obtidos por meio do site www.cisnenegrofilmes.com.

