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Edição nº 33
Inovação
União de esforços
Com mercado crescente e oportunidades para parcerias, Brasil assimila tecnologias do Canadá, país que aplica US$ 7 bilhões anuais no estímulo a pesquisa e desenvolvimento (P&D)
Entre os inúmeros segmentos do setor de tecnologia e inovação, o aeroespacial, em especial, deverá gerar nos próximos anos novas oportunidades de intercâmbio entre o Brasil e o Canadá, país que reserva anualmente US$ 7 bilhões para ações de estímulo a pesquisa e desenvolvimento (P&D). Atualmente explorado por grandes empresas de cada lado, como a Embraer e a CAE, ele poderá ser foco de futuras parcerias. Essa, pelo menos, é a mais recente sinalização dada por autoridades. “Temos uma base a dois graus da linha do Equador, e isso é uma grande vantagem no lançamento de foguetes. Estamos construindo o cyclone – 4 [foguetes de fabricação ucraniana que deverão ser lançados da base brasileira de Alcântara (MA)]. A ideia é desenvolver os foguetes, e o Canadá, os satélites”, disse recentemente o ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil, Aloizio Mercadante, ao ministro de Comércio Internacional do Canadá, Ed Fast.
Aproximações como essa têm sido comuns – assim como o seu aproveitamento. Com um mercado interno crescente, a economia brasileira absorve tecnologias para atender às novas demandas de consumidores e empresas e minimizar suas deficiências tecnológicas. Por esse motivo, companhias canadenses, experientes no desenvolvimento de inovações, demonstram maior disposição para desembarcar ou expandir negócios no Brasil, reproduzindo o modelo bem-sucedido de investimento constante em P&D.
A Mitel Networks caminha nessa direção. Além de fabricar produtos no país e ter uma joint venture com o grupo EBX, do empresário Eike Batista, a marca destaca-se em P&D, área que recebeu US$ 51,7 milhões em 2010 – valor equivalente a 7,9% das receitas globais do período. Para lograr uma maior eficiência na adaptação de produtos, fechou parceria com o Centro de Estudos em Telecomunicações (Cetuc), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e suas empresas incubadas. “Trazemos novidades de virtualização full, em que tanto a comunicação unificada quanto seus aplicativos podem ser implantados em um servidor compartilhado por vários clientes”, diz Paulo Ricardo Pinto, gerente-geral no Brasil.
redução de custos – O executivo explica que a virtualização, associada a recursos de voice mail, áudio e videoconferência, entre outros, elimina a necessidade de um equipamento dedicado de PABX. Além de reduzir custos, essa alternativa tecnológica incorpora o conceito de everything as a service: os ativos de informática são concentrados em um prestador de serviços, que cobra pela administração e manutenção de sistemas. “A palavra de ordem é cloud, com processamento e inteligência concentrados em um centro de dados, e não em computadores individuais”, explica.
No mercado brasileiro desde 2008, a canadense Aastra também inova em comunicação corporativa. “Em julho, lançamos o mediaphone Aastra BluStar, terminal que faz videoconferência em alta definição (HD) e permite comunicação unificada”, afirma o diretor Luis Henrique Fagundes. Por sua vez, o sistema de comunicação de voz MX-One, que usa tecnologia de Protocolo de Identificação (IP), pode administrar mais de 150 mil ramais em um único equipamento, o que, para muitos dos clientes atuais, como Petrobras, Itaú, Bradesco e o governo da Bahia, pode representar uma economia em compras e manutenção.
“Investimos cerca de 10% do faturamento global em P&D por ano, além de mantermos centros no Canadá, Suíça, França e Suécia”, acrescenta. Para oferecer funcionalidades específicas, o grupo canadense faz adaptações em parceria com institutos de pesquisa. Para isso, aplica, no mínimo, o equivalente a 4% de seu faturamento no Brasil. “A estimativa deste ano é de alta de 15% nas operações nacionais, em relação a 2010”, afirma Fagundes, ao apontar a carência de tecnologias de voz sobre IP e os investimentos públicos na área como principais oportunidades.
Especializada em sistemas de gestão de aprendizagem e de eventos empresariais, a Operitel também privilegia a inovação, devendo destinar cerca de US$ 1,5 milhão para desenvolvimento em 2011, com alta de 50% em relação ao ano anterior. Atenta ao expressivo uso de redes sociais no Brasil, a marca lançou a plataforma de mídia social e colaboração LearnFlex Connect, que se integra ao sistema de gestão de aprendizagem LearnFlex LMS. O objetivo é potencializar talentos e a troca de informações e ideias entre colaboradores. “Esse novo sistema se distingue por proporcionar às empresas, independentemente de seu porte, segurança na transmissão de dados”, conta Natalia Vivacqua Jordão, gerente de marketing da filial brasileira.
consumo de tecnologias – Em setembro, o controle da companhia foi assumido pela OpenText, com mais de dez anos no Brasil, considerado prioritário. “No ano passado, o país deteve a maior taxa de crescimento do Hemisfério Sul. A economia brasileira é ímpar porque a população, as empresas e os governos estão consumindo tecnologias inovadoras”, destaca Ray Philips, vice-presidente de Vendas e Serviços para a América Latina. Reflexo da meta de continuar expandindo, a empresa lançou a versão localizada de seu principal produto (OpenText Content Server) e traduziu seu site para o português.
Zoran Veselic, vice-presidente de Ambientes Visuais da Christie Digital, fabricante de projetores e equipamentos audiovisuais para cinemas, grandes espetáculos e centros de treinamento, entre outros, acrescenta a expansão econômica sustentada como vantagem local. Em março, o desenho animado Rio foi projetado na fachada do Copacabana Palace Hotel, no Rio de Janeiro, em ação de lançamento mundial do filme. “O Brasil é o lugar ideal para se estar. Por isso, temos o objetivo de consolidar nossa presença fixa no país”, disse o executivo durante a missão empresarial – que teve participação de outras 24 empresas canadenses – à feira de comunicações Futurecom 2011, realizada em setembro, em São Paulo.
A Smart Technologies, por seu lado, verifica uma maior adoção de seus produtos no Brasil. É o caso da lousa digital Board SB600, que possui superfície sensível ao toque. “Conectado a um computador ou projetor, o produto traz muito mais dinamismo às aulas”, afirma o country manager Ruy Mendes, ao citar, entre seus clientes, a escola Dante Alighieri e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
Já a TeraXion, que fornece componentes para redes de fibra ótica, vê na parceria com a Boreal Communications, de Campinas (SP), sinais de espaço para crescer. “Para nós, houve um rápido aumento das oportunidades. A expansão do mercado obrigou as empresas de telecomunicações a investir em suas redes, e vamos aproveitar esse momento com nossos parceiros”, conclui o engenheiro de Vendas Patrick Lebeau.
Modelo canadense
Exploradas no Canadá, as parcerias entre empresas, entidades e universidades estimulam a inovação. De acordo com John G. Jung, CEO do Canada’s Technology Triangle (CTT), “reunimos corporações com experiência no desenvolvimento de produtos e serviços que podem ser valiosos ao Brasil”. Com o objetivo de atrair negócios para a região de Waterloo (Ontário), o CTT é uma parceria público-privada (PPP) voltada para a geração de oportunidades econômicas, acadêmicas e profissionais. A intenção é aproximar empresas canadenses participantes do projeto de companhias brasileiras, caso da Desire2Learn – especializada em produtos de e-learning –, que participou da missão comercial do Canadá na feira Futurecom 2011, em São Paulo. “Foi uma oportunidade de fazermos contatos com possíveis parceiros no Brasil”, avalia Alex Lucena, responsável pelo desenvolvimento de negócios na América Latina.
Expectativas elevadas
Principal evento da RIM na América Latina, o BlackBerry Colaboration Forum, realizado em outubro, em São Paulo, revelou novos aplicativos e tecnologias corporativas e serviu de palco para o lançamento no mercado brasileiro de três novos smartphones – com o sistema operacional BlackBerry 7 – e do tablet BlackBerry PlayBook. “Nos próximos anos, veremos grandes mudanças no segmento de smartphones.
No Brasil, diversas pessoas acessarão a internet pela primeira vez por meio desses aparelhos, que, para muitas famílias, terão função semelhante à dos computadores”, avalia Peter Gould (foto), diretor-geral da companhia no país. Segundo o executivo, as expectativas são elevadas. E o mais importante: para diferentes áreas de interesse, como a venda de aparelhos, o desenvolvimento de ferramentas, o atendimento corporativo e a entrega de soluções para governos.

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