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Edição nº 25
Artigo
Uma situação diferente
Sempre que ouço a palavra sustentabilidade, lembro-me do comentário de um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a pornografia: “Não sei como defini-la, mas reconheço-a quando a vejo!”. Atualmente, sustentabilidade é um jargão no dicionário de todo economista – notadamente no que diz respeito a economias emergentes. É algo mais do que apenas a convergência de fatores como infraestrutura econômica, governança (tanto privada quanto pública), regulação, instituições, políticas comerciais e patrimônio ambiental. Quando todos interagem positivamente, o resultado é o crescimento a longo prazo, sendo considerado “sustentável”. Sempre que um ou mais desses quesitos estiver(em) fora de contexto, esse crescimento é pelo menos comprometido, quando não impossível de atingir.
Um dos fatores mais importantes para determinar a sustentabilidade no passado era o patrimônio de recursos naturais. Países ricos em recursos naturais e/ou comercializáveis eram considerados “sustentáveis”. Entretanto, como vimos na recente crise financeira mundial, essa riqueza não basta para assegurar o desenvolvimento sustentável. É preciso transformá-la em produto, de modo contínuo e de maneira competitiva. Quando há escassez de recursos importantes para a evolução de um país, é necessário criar políticas comerciais e práticas que deem acesso aos recursos ou aos itens derivados.
Na maior parte de sua história, o Brasil foi um país excepcionalmente rico em recursos naturais. Começando na época colonial, viveu períodos de desenvolvimento muito intensos, apoiados em produtos como pau-brasil, gado, ouro, pedras preciosas, açúcar, café, cacau, minério de ferro, entre outros. A economia evoluiu rapidamente em cada ciclo, contribuindo para uma taxa média de crescimento relativamente alta. Porém, nesses anos iniciais, o desenvolvimento não era sustentável. Os momentos de prosperidade eram seguidos pelos de retração econômica, que tornaram o desenvolvimento errático e volátil. Peter Drucker – referência mundial da administração contemporânea – comentou que um dos recursos naturais essenciais ao crescimento sustentável em longo prazo é a presença de uma classe gerencial profissional. A política colonial portuguesa no Brasil atrasou de modo significativo o aperfeiçoamento de gestores profissionais.
Enquanto o México dispunha de sua primeira universidade já no início do século XVI, no Brasil a primeira instituição surgiu somente em 1808. As universidades de apoio brasileiras eram em grande parte estatais ou de controle estatal (por exemplo, o Banco do Brasil, fundado em 1808, era, ao mesmo tempo, um banco comercial, um quase banco central e a principal fonte de financiamento do governo). Somente em meados do século XX, formou-se o núcleo de uma classe profissional no setor privado brasileiro. Gestores dependem de instituições que funcionem, de agências reguladoras, de políticas consistentes e coerentes e de adequada governança do setor público, para que possam realizar seu trabalho.
Contrariamente ao empreendedor e barão industrial do século XIX, que administrava com “mão de ferro” e “comprava” o apoio de que precisava, o gestor moderno depende das instituições, afinal o dinheiro não é seu. Ele presta contas de suas ações a acionistas.
De fato, os atuais profissionais brasileiros “impuseram” ao país a necessidade de melhor governança, instituições mais fortes, um sistema educacional melhor, uma infraestrutura econômica mais eficiente e condições para executarem o trabalho para o qual foram contratados. Como disse Peter Drucker, “depois que a gestão domina a economia, não existe volta”. A sustentabilidade é assegurada. Aos investidores canadenses, recomenda-se que atentem ao fato de que o Brasil superou essa etapa em seu desenvolvimento. Desta vez, a situação é realmente diferente!
Uma gestão profissional é essencial para o crescimento sustentável
*Jim Wygand, mestre em Economia pela Universidade de Wisconsin e diretor da CCBC
Tradução para português: BeKom Comunicação Internacional

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