· English 
Busca OK
Site CCBC
Home
Edição nº 25
 · Editorial
 · Notas
 · Matéria de Capa
 · Turismo
 · Entrevista
 · Arbitragem
 · Saúde
 · Cultura
 · Artigo
Edição nº 24
Edição nº 23
Edição nº 22
Edição nº 21
Edição nº 20
Edição nº 19
Edição nº 18
Edição nº 17
Edição nº 16
Edição nº 15
Edição nº 14
Edição nº 13
Edição nº 12
Edição nº 11
Edição nº 10
Edição nº 09
Edição nº 08
Edição nº 07
  Edição nº 25

Cultura

Intercâmbio literário

Mercados consumidores e oportunidades em diferentes setores impulsionam a parceria entre Brasil e Canadá na área editorial, com destaque para as obras de ficção, não-ficção e infanto-juvenil

Evanildo da Silveira

Eles são poucos, mas leem muito. Distribuí­dos em um extenso território de 9,9 milhões de quilômetros quadrados os cerca de 33,5 milhões de habitantes canadenses se destacam pelo alto índice de alfabetização e de leitura - 97% sabem ler e 90% leem pelo menos um livro por mês. Apesar de a realidade brasileira ter números bem menos expressivos – a média nacional é de dois livros por pessoa/ano –, o mercado editorial do país é um dos maiores do mundo, graças à sua população de 190 milhões de habitantes e uma movimentação anual de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Em decorrência desses cenários, tanto o Brasil como o Canadá são considerados países estratégicos para muitas editoras, que visualizam oportunidades em diferentes setores. Para as empresas nacionais, o mercado editorial canadense tem uma série de atrativos. “Os índices de leitura são muito altos”, explica a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini. De acordo com ela, o Brasil tem grandes chances de atuar no país, já que a produção literária nacional é bem vista em terras canadenses. “Sabemos, por exemplo, que o Canadá vendeu para companhias nacionais, no período de 1997 a 2009, R$ 11,7 milhões em direitos autorais e livros impressos”, diz a presidente da CBL, com base em informações fornecidas por integrantes da comissão de empresários canadenses, que estiveram no Brasil em fevereiro desse ano.

Rosely refere-se à visita de representantes das editoras McGill-Queen’s University Press (especializada em obras acadêmicas da área de Humanas e Ciências Sociais), Second Story Press (do segmento de ficção e não-ficção e livros infantis), Les Éditions Fides Inc. ( da área de livros religiosos, ficção e não-ficção, poesia, história e pesquisa) e Livres Canada Books. O evento avaliou oportunidades de negócios entre os dois países e contou com a participação de 20 representantes do setor editorial brasileiro.

Segundo a executiva da CBL, a entidade promove regularmente encontros desse tipo em sua sede, na cidade de São Paulo – eventos realizados com o objetivo de fomentar o intercâmbio entre entidades e empresas do segmento. “Na verdade, são encontros que possibilitam a troca de informações e o debate sobre o futuro dos negócios”, explica. Rosely afirma que os segmentos com maiores oportunidades entre os dois países são os de livros infantis e de obras gerais. “Esse dado está apontado no nosso plano estratégico de atuação no exterior, a partir do estudo Análise de Mercados”, afirma. (veja boxe pág. 56)

catálogo variado – Diante desse panorama, algumas editoras brasileiras já saíram na frente. Entre as que mantêm negócios com grupos canadenses está a Companhia das Letras, por exemplo. “No momento não temos dados precisos, mas posso dizer que compramos mais do que vendemos para o Canadá”, diz Ana Paula Hisayama, responsável pelos direitos estrangeiros da editora. “Já adquirimos vários títulos, que se alinham ao catálogo da Companhia das Letras. No sentido inverso, já vendemos os direitos de uma obra infantil”.

Entre os destaques dessas operações da editora com representantes canadenses estão os livros The dictionary of imaginary places (Dicionário de lugares imaginários), The history of love and hate (Lendo imagens), Into the looking glass wood (No bosque do espelho) e The library at night (A biblioteca à noite), todos de Alberto Manguel. A Companhia das Letras adquiriu ainda os direitos autorais de Runaway (Fugitiva) e Too much happiness (ainda não publicado no Brasil e sem título em português), ambos de Alice Munro; Fugitive pieces (Peças em fuga) e The winter vault (ainda não publicado), de Anne Michaels; The penelopiad (A odisséia de Penélope), de Margaret Atwood; Barney’s version (A versão de Barney), de Mordecai Richler; Hitching rides with Buddha (De carona com Buda), Happiness (Ser feliz) e Spanish fly (ainda não publicado), de Will Ferguson; além da série Scott Pilgrim, de Bryan Lee O’Malley. Da editora McClelland & Stewart, foi comprado o título A câmara de inverno, de Anne Michaels, que está previsto para ser lançado ainda esse mês no país.

Do Brasil para o Canadá, a editora vendeu Boca do inferno, de Ana Miranda, para a Lester & Orpen Dennys; Histórias de índio, de Daniel Munduruku, para a Groundwood; O xangô de Baker Street, de Jô Soares, para a Les Éditions Quebecor; e Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum, para Knopf Canada e Éditions du Boréal. Os negócios da Companhia das Letras não devem parar por aí, no entanto. “Pretendemos ampliar nossa participação no mercado, mas não só em relação ao Canadá como também a outros países”, explica Ana Paula. “Isso se dá por meio da participação em feiras internacionais principalmente, onde o contato entre as editoras torna-se ainda mais próximo”.

Esse é um caminho semelhante ao que vêm seguindo outras editoras, como a Melhoramentos e a Ciranda Cultural, especializadas nos segmentos de livros infantis e infanto juvenis. A primeira, por exemplo, adquiriu recentemente títulos de três editoras canadenses –  Second Story Press, Quebec Amerique e Kids Can Press. Além disso, nos últimos 10 anos comprou os direitos de cerca de 30 obras de ficção e não ficção. “Livros que renderam vendas de 300 mil exemplares”, conta o superintendente da Melhoramentos, Breno Lerner.

Quase 100% dos canadenses leem pelo menos um livro por mês, enquanto a média do brasileiro são dois ao ano

Recentemente, a Melhoramentos lançou uma série de títulos adquiridos da Second Story Press, sobre histórias verídicas da Segunda Guerra Mundial. O primeiro deles, A Mala de Hana - Uma história real, de Karen Levine, é um grande sucesso, com mais de 100 mil exemplares vendidos. “Recentemente, colocamos no mercado mais dois livros da série, Escondendo Edith, de Kathy Kacer, que já vendeu 35 mil exemplares, e Meg e a guerra do chocolate, cuja divulgação foi iniciada há alguns meses”, diz Lerner, que afirma ter outras três obras para serem lançadas em breve.

No caso da Ciranda Cultural, a relação com editoras canadenses é mais recente. “Há dois anos, compramos títulos da Phidal Publishing, da Tormont Publications e da Lobster. No total, foram cerca de 30 obras, que renderam vendas de 500 mil exemplares e faturamento de R$ 2 milhões”, conta Donaldo Buchweitz, diretor geral da editora. Quanto aos negócios concretizados no sentido inverso, os resultados ainda são acanhados. “O mercado canadense é muito específico e sofre pressão dos Estados Unidos, que têm uma produção vastíssima, na mesma língua e com muita semelhança cultural”, justifica Lerner.

Além dos livros impressos, uma nova área de negócios começa a se abrir entre os dois países: a das obras digitais. Para discuti-la, a CBL organizou, em março na cidade de São Paulo, o primeiro Congresso Internacional do Livro Digital, do qual participou o canadense Michael Smith, diretor executivo do International Digital Publishing Forum (IDPF). “O objetivo foi debater o assunto com o mercado editorial de forma mais ampla, com a presença de especialistas, governo e formadores de opinião”, explica Rosely. “E deu muito certo.Em seus três dias de duração, o evento contou com a participação de 600 pessoas”.

Segundo ela, a CBL criou no ano passado uma comissão do livro digital para debater e analisar o assunto. “Foi a nossa primeira ação em torno do tema”, diz. “No caso do congresso, a nossa proposta foi também conhecer melhor essa nova oportunidade, para ampliar o universo do público leitor e desenvolver uma nova vertente de negócios. Como conclusão, tivemos a certeza da convivência em breve do livro impresso tradicional com as novas mídias eletrônicas”.

Mercado promissor
O Canadá é um mercado potencial para livros infantis. A conclusão é da Análise de Mercados Potenciais CBL – Direitos Autorais, desenvolvida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), com o apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), com o objetivo de difundir os títulos brasileiros no mercado internacional. Realizada em 2009, a pesquisa avaliou as oportunidades de mercado de 33 países em quatro segmentos editoriais: infantil, religioso, obras gerais e científicas, técnicas e profissionais, analisando dados como gastos do consumidor com livros e educação; economia e renda e demografia. Representantes de editoras também fizeram comentários sobre as demandas a serem supridas quanto ao comércio estrangeiro. Até 2011, estão previstas ações que visam reforçar a importância do mercado editorial do Brasil em diferentes países, com destaque para a participação em eventos internacionais e a implementação de programas de incentivo às exportações. A expectativa da CBL e da Apex é chegar a 80 títulos brasileiros vendidos em dois anos.






<< Anterior Próxima >>