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Edição nº 24
Artigo
O que falta para investir?
O patrimônio de recursos naturais e a história do Brasil fazem crer que o setor de mineração deveria desempenhar papel cada vez mais relevante na economia. Entretanto, o passado mostra que o país é contrário ao risco em relação a investimentos de longo prazo. Há vários motivos para isso, a começar pelo histórico da inflação e o modelo de desenvolvimento adotado, baseado na substituição de importações, que atingiu o seu ápice nos anos de 1960 e 1970, sendo abandonado no início da década de 90.
Na mineração, a existência de jazidas de minério próximas à superfície, de excelente nível de pureza, tornou a atividade mineradora relativamente fácil durante muitos anos. Por um longo período, o mercado protegido e a facilidade de exploração fizeram da mineração uma atividade interessante, embora subdesenvolvida, da economia brasileira. Empresas estrangeiras defrontaram-se com a desconfiança e, muitas vezes, com as restrições aos investimentos e ao controle. Isso mudou somente em anos recentes.
A abertura da economia brasileira e a quebra efetiva de cartéis e da reserva de mercado, bem como a privatização, mudaram o quadro do setor. Entretanto, a tradicional postura brasileira, contrária ao risco, continua sendo um obstáculo ao financiamento. Em função da ampla gama de outras oportunidades de menor risco e das perspectivas de maturidade mais próximas, o financiamento, pelo setor privado, da exploração e do investimento em novas tecnologias em mineração continua sendo um desafio a ser superado.
A tradição e a expertise do Canadá desempenham importante papel no desenvolvimento da mineração brasileira. Há oportunidades em serviços de consultoria e engenharia. Este mercado, estimado em 64 milhões de dólares canadenses anuais, é dominado por seis empresas nacionais e quatro estrangeiras, que detêm 90% do mercado. Outra janela de oportunidade existe na área de intercâmbio entre governos, visando melhorar regulamentos e legislação e a transferência de tecnologia na área ambiental, bem como de manejo de assuntos fundiários indigenistas. Apesar de seu patrimônio mineral, o Brasil apresenta deficiências em mapeamento de jazidas de minério. Parte considerável desses mapas data dos anos de 1970 e apresenta escala relativamente reduzida.
Em contexto mais abrangente, há um enorme mercado de financiamento de capital de risco no Brasil. Apesar de sua, de certa forma, imerecida fama de mercado de “alto risco”, o Brasil tem de fato sido um país de relativo baixo risco ao longo da maior parte de sua história. De modo geral,o risco financeiro era absorvido pelo setor público por meio de financiamento subsidiado, de garantias de governo e do modelo de substituição de importações. O setor privado, talvez ironicamente, opõe-se ao risco.
Estimativas atuais, relativas ao capital de risco empregado na mineração, giram em torno de US$ 120 milhões por ano. Torna-se cada vez mais evidente que o setor público já não tem mais a capacidade e/ou os recursos – humanos e financeiros – para atender e financiar projetos de longo prazo e de risco razoavelmente elevado. Os bancos brasileiros também são muito conservadores, além disso as atividades de instituições de investimento constituem fenômeno relativamente recente no Brasil. Há muitas oportunidades na economia nacional para investidores com apetite para aceitar o desafio da curva de oportunidades de risco e retorno. Com a inflação sob controle, o financiamento de investimentos, com períodos mais longos de retorno, já não constitui incerteza importante. O que se pode afirmar é que a mineração é uma dessas oportunidades.
Tradução para português: BeKom Comunicação Internacional
A tradição do Canadá tem importante papel
para a mineração brasileira

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