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Turismo

Canadá sem sair de casa

Rotas para motorhomes, veículos projetados para acomodar famílias inteiras com conforto e comodidade, incluem fiordes, montanhas e parques nacionais, entre outros destinos

Leandro Rodriguez

No Canadá, o espírito livre e a mobilidade podem ser decisivos para as melhores viagens. Percorrer, sem horários de chegada e de partida, as estra­das das Rocky Mountains, ladeadas por paisagens impressionantes, ou parar, por tempo indeterminado, no Banff National Park (Alberta), onde a beleza natural predomina, são apenas dois exemplos das vantagens de se decidir os caminhos de acordo com as experiências do momento. Quem prefere viajar desta maneira tem os motorhomes (ou recreational vehicles - RVs) como alternativa ideal de transporte e lazer. Considerados verdadeiras casas sobre rodas, esses veículos acomodam famílias inteiras com conforto e praticidade, além de serem, em muitos casos, uma opção divertida para as crianças, que aproveitam com mais liberdade a viagem.

A qualidade das estradas canadenses, a variedade de empresas especializadas em aluguel e o preparo dos lugares públicos e dos campings, para receber os motorhomes, garantem comodidade e tranquilidade. No país, há mais de 1 milhão de RVs – segundo estudo da Tourism Quebec, o número de veículos cresceu 3,9% em 2009 em relação ao ano anterior –, e pesquisa recente da consultoria PKF Consulting revela que eles proporcionam uma economia de até 75% se comparados com roteiros tradicionais, que incluem passagens aéreas e reservas em hotéis.

A falta de visitas programadas ou de saídas pré-estabelecidas aumenta a sensação de aventura e atrai número crescente de adeptos. Os par­ques nacionais e provinciais são destinos muito procurados devido à abundância de riquezas naturais. Outra vantagem, destacam os apaixonados pelos motorhomes, é a privacidade, uma vez que eles permitem compartilhar jantares, cafés da manhã ou mesmo paradas de descanso em locais distantes de cidades ou estradas mais próximas.

Mas, como em toda viagem, os roteiros em RVs precisam de um mínimo de preparação. No caso dos motoristas brasileiros, exigi-se a habi­li­tação de categoria “B” – além dela, operadores de turismo recomendam a Carteira Internacional de Habilitação. Também é necessário conhecer as regras de trânsito do Canadá e das províncias visitadas, assim como ter em mente que algumas características dos motorhomes, como as dimen­­sões, a dirigibilidade e os mecanismos e recursos, precisam ser conhecidos de antemão. Devido aos invernos rigorosos, o viajante deve averiguar as condições das estradas e da meteorologia antes de partir, além de verificar se leva consigo equipamentos específicos como correntes para os pneus.

A British Columbia orgulha-se de contar com mais de 600 locais – entre parques, campings e áreas específicas – apropriados para o estacionamento. Com as imponentes Rocky Mountains como um de seus principais atrativos, a região conquista há anos o coração de muitas famílias, que decidem explorar as estradas. Algumas rotas bastante divulgadas facilitam o planejamento de quem escolhe seguir pontos sugeridos – em vez de dirigir sem destino –, como a chamada Circle Route. Com 479 quilômetros, o percurso dá destaque à produção de artesãos de diferentes comunidades costeiras. Partindo de Vancouver em direção à Vancouver Island, por meio de ferry boat, o roteiro passa por Sidney e Victoria, rumando, em seguida, ao norte para Duncan, Nanaimo e outras cidades até retornar ao continente, utilizando novamente o ferry boat, entre Comox e Powell River, onde é possível apreciar a Sunshine Coast. A partir de então, o viajante segue para o sul, cruzando mais localidades até chegar em Vancouver.

Poucos caminhos, no entanto, podem ser comparados à Alaska Highway. Construída por 10 mil militares dos Estados Unidos e 16 mil cidadãos desse país e do Canadá, como esforço de guerra para defender e abastecer regiões da costa do Pacífico, após o ataque japonês à base naval de Pearl Harbor (1941), a estrada é considerada uma experiência imperdível. Com mais de 2 mil quilômetros de extensão, ela começa em Dawson Creek (British Columbia), estendendo-se ao norte até Delta Junction, no Alaska (Estados Unidos), via Whitehorse (Yukon). Ao contrário do passado, a dirigibilidade é segura – alguns trechos exigem atenção redobrada –, em grande parte devido à melhora da sinalização e da pavimen­tação nos últimos anos, além da disponibilidade de postos de reabastecimento. Muitas das paisagens mais impressionantes são vistas das montanhas – o ponto mais elevado, no Summit Lake Provincial Park, está localizado a 1295 metros de altitude.       

Pradarias e florestas – As atividades ao ar livre são quase obrigatórias. Em parques e áreas de preservação, a vida selvagem e a natureza se revelam em cores, movimentos e animais característicos do Canadá. Caribus, alces, veados e ursos são alguns exemplos da diversidade, que marca também as vistas panorâmicas, a vegetação e as comunidades. A 27 quilômetros de Dawson Creek, a cidade de Mackenzie, situada nas Rocky ­Mo­un­tains, é uma escapada da Alaska Highway muito indicada. Além de visitas a lagos, é possível fazer passeios em snowmobile ou esquiar. No Williston Lake, por sua vez, pode-se nadar e pescar.

Se o objetivo, no entanto, é conhecer um Canadá mais afastado do Pacífico, Alberta pode ser um ponto de partida ideal. Os contornos irregulares das Rocky Mountains – elas também são mui­to visitadas nessa província – contrastam com as pradarias, as florestas de álamos e a tundra, além de outros biomas. Para muitos canadenses, a melhor maneira de conhecer Alberta é pegar a es­trada, parando em diferentes lugares para conhecê-los. Pela Cowboy Trail (694 quilômetros), muitas das imagens do Velho Oeste, como as que aparecem no filme O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (2007), encantam quem atravessa a região, assim como a arte, a música, a gastronomia e a hospitalidade típica dos moradores.

Uma alternativa às pradarias, a impres­sionante Icefields Parkway, de 230 quilômetros, liga as áreas de preservação do Banff National Park e do Jasper National Park por trajetos de tirar o fôlego, rodeados de antigos glaciares, florestas preser­vadas, lagos deslumbrantes e cachoeiras, além de outros atrativos. A estrada atinge altitude superior a 3 mil metros, onde as vistas, de tão marcantes, ficam guardadas na memória. No trecho entre Saskatchewan Crossing e Columbia Icefields há um passeio raro – o Columbia Icefield Glacier Experience –, que não deve ser perdido. Como em poucos países, o visi­tante caminha sobre um glaciar. Para isso, embarca primeiro em um ônibus adaptado para a neve, com saídas de abril a outubro.

Em Ontário, as opções são igual­mente estimulantes. Uma das rotas preferidas pelos viajantes sobre rodas tem início em Toronto, capital de Ontário. Sua abertura para o mundo, percebida pela quantidade de estrangeiros nas ruas e pela diversidade cultural, faz dessa cidade – a maior do ­Canadá – uma das mais interessantes do país. Além do Royal Ontario Museum e da CN Tower, dois pontos turísticos muito concorridos, inúmeras opções encantam o visitante.

A 128 quilômetros de distância da metrópole, as cachoeiras de Niagara Falls pedem uma parada. A Rainbow Bridge, por exemplo, oferece vista panorâmica das quedas d’água, com impressionantes arco-íris durante os dias mais ensolarados. Seguindo viagem rumo a Manitoulin Island, a cerca de 142 quilômetros de Niagara Falls, a paisagem se transforma à medida que a urbanização dá lugar às comunidades rurais. O ferry Chi-Cheernaun permite chegar à ilha Manitoulin, um dos símbolos das Primeiras Nações, onde há locais para acampamento.

universo intocado – Mais ao norte, a ­­ cerca de 90 mi­nutos de Toronto, Muskoka guarda o Algonquin Provincal Park, apontado como lugar ideal para os amantes da pesca e da caminhada. Cento e trinta e cinco quilômetros mais ao leste, Ottawa, capital do Canadá, encerra esse percurso pela província, que pode ser mudado ao simples girar do volante, conforme a descoberta de novas cidades, sugestões e referências turísticas.
Para explorar a costa do Atlântico e seus segredos, o Quebec encanta com paisagens encon­tradas em poucos lugares. A Route du Fjord, por exemplo, circunda o fiorde da região a partir da cidade de Petit-Saguenay (Highway 170) até Sacré-Cœur (Highway 172), com paradas em L’Anse-Saint-Jean, Rivière Éternité,
Saint-Félix-D’Otis, Saguenay, Saint-Fulgence e Sainte-Rose-du-Nord. Entre Tadoussac e Saint-Fulgence, o roteiro atravessa um vale de caracte­rísticas naturais especiais, chamado de Vallé de la biodiversité, onde espécies protegidas – a baleia beluga e o falcão peregrino são exemplos – convivem em ecossistemas preservados. Com um motorhome, o viajante tem a chance de, sem sair de casa, entrar nesse universo intocado.

viagem sobre quatro rodas
O reconhecido apoio do Canadá ao turista não exclui quem deseja conhecer o país em motorhome. Além de empresas especializadas em diversas cidades, é possível encontrar informações em sites de referência:

Go RVing Canada
www.gorving.ca

Tourism British Columbia
www.hellobc.com

Travel Alberta
www.travelalberta.com

Ontario Tourism
www.ontariotravel.net

Bonjour Québec
www.bonjourquebec.com


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