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Edição nº 15
Educação
A melhor escolha
Além de auxiliar estudantes a eleger o curso ideal no exterior, feiras de intercâmbio provam ser um ótimo negócio para instituições de ensino
Claudia Rondon
A divulgação da pesquisa Youth Travel Matters: Understanding the Global Phenomenon of Youth Travel, publicada pela WYSE Travel Confederation e pela World Tourism Organization (UNWTO), mostra que, no ano passado, o número mundial de jovens turistas correspondeu a 20% do turismo internacional, sendo esta uma das áreas do setor que mais crescem atualmente. Deste total, 70% viajam com algum propósito: aprender um novo idioma, ser voluntário ou simplesmente trabalhar ou estudar em outro país. No Brasil, os resultados do estudo são suficientes para justificar o crescimento contínuo das feiras de intercâmbio. Mais do que auxiliar o estudante a eleger qual será seu destino no exterior, os eventos revelam-se, para as instituições de ensino, uma excelente forma de fazer negócios e de conquistar alunos.
Interessado em conhecer especificamente os atrativos do Canadá, o público de 10.500 visitantes da EduCanadá – organizada pelo Centro de Educação Canadense (CEC) –, em 2007, explica o aumento do interesse dos brasileiros pelo país e das instituições de ensino canadenses pelo Brasil. Segundo Fernanda Purchio, diretora do CEC, a edição 2008 do evento – que conta com o apoio da Câmara de Comércio Brasil-Canadá – receberá mais de 40 expositores. “Nossa expectativa de público cresce 20% por ano. Esperamos, portanto, receber cerca de 12 mil pessoas nas quatro cidades em que estaremos presentes durante o mês de setembro: São Paulo (dias 13 e 14), Porto Alegre (16), Belo Horizonte (18) e Rio de Janeiro (19)”, diz. Além da oportunidade de conversar com representantes de instituições canadenses de cursos de inglês e de francês, de ensino médio, de graduação e de pós-graduação, o visitante da EduCanadá terá a chance de tirar suas dúvidas sobre como emitir o passaporte, obter o visto, imigrar, entre outros assuntos.
Com o intuito de manter o mercado aquecido, agências e operadoras de turismo chegam a investir cerca de 10% de seu faturamento anual em feiras deste porte, obtendo retorno até três meses pós evento. A estabilidade do câmbio é outro fator que contribui para o crescimento dos intercâmbios e, conseqüentemente, na procura pelo Canadá. Claudia Martins, gerente de marketing do Student Travel Bureau (STB), conta que aproximadamente 50% das perguntas feitas pelos visitantes nas feiras são sobre o país, que hoje corresponde a 22% em vendas de cursos de idiomas da empresa. “Participar desses eventos permite ampliar a exposição da marca, além de gerar novos contatos. Atualmente, estamos presentes em feiras voltadas para o trade como as da Associação Brasileira de Viagens (ABAV) e da Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa) e nas específicas para o público final, como o Salão do Estudante e a ExpoBelta”, acrescenta a gerente, ao destacar que, mais do que divulgar os cursos, o STB também oferece aos visitantes todas as informações necessárias de como realizar um intercâmbio. “Na ABAV 2008, por exemplo, explicamos a importância da assistência médica internacional, apresentando em nosso estande todos os possíveis problemas para quem viaja sem este benefício”, completa.
Ao mesmo tempo em que contabiliza o aumento no número de visitantes na ExpoBelta e no Salão do Estudante em São Paulo, Claudia enfatiza a necessidade de investimentos em infra-estrutura para que a cidade possa acompanhar o rápido crescimento desses eventos. “São Paulo dispara nos índices de freqüência, mas deixa a desejar no que se refere ao apoio às feiras de intercâmbio. Precisamos contar com espaços maiores, em locais de fácil acesso, como os próximos ao metrô, beneficiando os adolescentes”, acredita.
Há quatro anos, a CI busca facilitar o acesso aos visitantes da Feira CI de Educação Internacional promovendo-a em shopping centers de diversas regiões do país. Os investimentos são de aproximadamente 10% do faturamento anual da empresa. “Como nossa feira é promovida geralmente no mês de abril, ao prever o aumento da demanda durante as férias de julho é possível obter um retorno nacional de aproximadamente 70% do valor investido nesse e em outros eventos dos quais participamos”, explica Paulo Volpe, diretor de marketing da CI. Assim como o STB, a empresa também destaca o Canadá como líder no ranking de destinos mais procurados para os cursos de idiomas no exterior, representando atualmente 40% de suas vendas.
Com o objetivo de ampliar ainda mais esses números, instituições de ensino do país investem quase 10 mil dólares canadenses para participar das feiras de intercâmbio – incluindo taxas e custos gerais de viagem – e podem obter um retorno quatro vezes maior na quantidade de alunos presentes
em suas salas de aula. “Sessenta por cento dos freqüentadores da Feira CI buscam cursos de idiomas no Canadá. Com isso, o país passou a ser uma sugestão natural de nossos expositores, em razão dos preços mais acessíveis e da qualidade de vida oferecida aos estudantes”, considera o executivo, ao citar que a participação e a organização de feiras de intercâmbio contribuem para que a CI consolide a sua marca no mercado. “A última edição foi promovida em nove cidades e recebemos um total de 35 mil visitantes. A quantidade de cadastros obtidos na ocasião nos possibilita dar continuidade posterior ao atendimento”, completa.
Terceiro evento mundial de educação internacional e o maior da América Latina, o Salão do Estudante, segundo Leandro Reis, gerente de marketing da organizadora Business Marketing International (BMI), cresce a cada ano em razão da fidelidade dos expositores – que retornam todos os anos – e da presença das principais agências de intercâmbio. “Sem dúvida, esse investimento traz bons resultados para as instituições de ensino que buscam divulgar seu produto para um público específico, com clientes em potencial”, acrescenta. Em sua edição mais recente, em março, o evento contabilizou, em seis cidades, um total de 48.176 visitantes, sendo 22.308 pessoas somente em São Paulo. “Contamos com 180 expositores – entre agências de intercâmbio, universidades, escolas de idiomas internacionais e empresas parceiras –, um número recorde nos 15 anos de existência do Salão do Estudante”, completa Reis.
Destacando os cursos de idiomas de curta duração (de um a três meses) como os mais procurados, o executivo ressalta a importância do contato direto com o expositor para a escolha do destino ideal. “As pesquisas sobre as instituições de ensino podem ser feitas pela internet ou durante uma visita a uma agência de intercâmbio, mas nada melhor do que o momento da feira para tirar dúvidas, conversar com ex-alunos, professores e diretores das escolas e das universidades”, acredita Reis, ao mencionar o Canadá como a primeira escolha dos brasileiros quando o assunto é intercâmbio. “O único fator limitante para o aumento dessa procura é a quantidade de vôos que saem do Brasil para o Canadá, insuficiente para suprir uma demanda ainda maior. Esperamos que, em breve, a situação melhore”, completa.
Planos de mudança – Em 2009, a ExpoBelta – realizada pela Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta) – chega a sua 10a edição com planos de mudança. “A idéia é transformar a feira em um fórum de educação internacional. Para isso, vamos contar com uma delegação de universidades européias e com mais de 50 estandes”, adianta Maria Eglantine Gabarra, diretora-executiva da Belta. A intenção é transformar o já existente Programa Erasmus – programa de mobilidade acadêmica de estudantes europeus – no Erasmus Mundus na América Latina, ampliando, dessa forma, sua capacidade e potencial. “Com isso, os alunos latino-americanos também ganhariam a mesma mobilidade acadêmica que os europeus”, acrescenta a diretora, sem deixar de citar o Canadá como o destino mais procurado pelos visitantes do evento. “O país aparece como primeira opção na lista de prioridades dos estudantes que freqüentam a ExpoBelta. Ao realizarmos um comparativo entre os países, notamos que Estados Unidos e Inglaterra obtêm cerca de 24% do interesse dos visitantes, enquanto o Canadá chega a 30%”, explica.
Com experiência de quem participa há dez anos de feiras de intercâmbio no Brasil, a instituição Greater Victoria School District no 61 (www.sd61.bc.ca), da província de British Columbia, acompanha de perto as mudanças deste mercado no país. “Percebemos que antes os estudantes brasileiros nos procuravam com a intenção de realizar um intervalo nos estudos para aprender o idioma inglês. Hoje, a tendência é a globalização, que aumenta a busca por um destino seguro e permita conhecer uma nova cultura, estudar em outra língua e até obter um certificado British Columbia High School, dando acesso mundial a universidades. O período de permanência também cresceu dos habituais seis meses para um ano, o que tem facilitado a validação do currículo escolar nos dois países”, conta Rienold M. Zimmer, associate director do Victoria International High School Programs, ao destacar também a contribuição das agências de intercâmbio para o reconhecimento do Canadá como um dos principais destinos internacionais. “Participamos da EduCanadá e do Salão do Estudante. É interessante notar que antes tínhamos dez alunos brasileiros em nossa instituição por ano. Hoje, temos em média 40. Observamos um crescimento de 30% em faturamento nos últimos cinco anos”, acrescenta.
Concorrência acirrada – Atualmente, 45 estudantes brasileiros estudam no Greater Victoria School District no 61, sendo 25, em 2006, e 20, em 2005. Apesar dos números, Zimmer ainda considera a proporção baixa em relação aos demais estudantes. “Na instituição, por exemplo, existe um aluno do país para cada 12 de outra nacionalidade e 10 mil canadenses”, explica, ao concordar com Reis, do Salão do Estudante, no que se refere à quantidade de vôos do Brasil para o Canadá. “Ela impede maior acesso. Sem dúvida, vôos diretos para Calgary e para Vancouver também contribuiriam para aumentar, e muito, nossos índices atuais”, afirma.
Além da pouca disponibilidade de vôos, a concorrência acirrada com outros países é outra dificuldade que o Canadá enfrenta no Brasil, na opinião de Clas Huntebrinker, presidente do Camber College (www.cambercollege.com), escola da província de British Columbia participante da ExpoBelta. “O Canadá tenta vencer a concorrência mantendo a imagem de melhor destino para educação no exterior. Mas a presença de outros países é muito forte e cresce a cada ano”, ressalta. Uma das razões para a busca por outras opções, segundo Huntebrinker, está relacionada às leis de imigração. “Em junho, por exemplo, notamos um aumento no número de vistos rejeitados a estudantes, especialmente aos brasileiros. Essa é uma situação que deve ser resolvida com urgência pelos governos do Canadá e do Brasil”, acrescenta. Hoje, o Camber College conta com a presença de quatro alunos brasileiros, índice que se manteve estável nos últimos dois anos. “Entre os cursos mais procurados está o Academic English. Percebemos um aumento na demanda de programas que combinem experiência de trabalho no exterior com estudo de línguas”, completa o presidente.
A diferença cultural é um fator que, segundo Struan Robertson, diretor da Struan Robertson and Associates
(www.struanrobertson.ca) – entidade que representa instituições como Albert College, Branksome Hall e St. Andrew’s College, participantes da ExpoBelta –, interfere na escolha das entidades particulares do Canadá. “Enquanto no Brasil a maioria dos alunos cursa o ensino médio em instituições particulares, na hora de enviá-los ao país, os pais acabam optando pelas escolas públicas. Aumentar o acesso dos brasileiros às escolas canadenses particulares é um desafio que precisa ser superado”, destaca, ao considerar que no momento da escolha é o preço que faz a diferença. “Por isso, apenas os melhores candidatos – aqueles que conseguem bolsas – ou os que têm condições financeiras suficientes freqüentam essas instituições”, conta, ao considerar as feiras de intercâmbio uma ferramenta fundamental para mudar este conceito no Brasil.
Movimento internacional
Além de representar 20% do turismo internacional, os jovens movimentam, mundialmente, outros números importantes, segundo a pesquisa da WYSE Travel Confederation e da World Tourism Organization (UNWTO). Conheça alguns deles:
O gasto médio por viagem tem aumentado 40% desde 2002;
70% dos jovens turistas viajam com um propósito – aprender um novo idioma, ser voluntário, a trabalho ou a estudo;
80% retornam a seu país de origem mais tolerantes e respeitando outras culturas;
60% das operadoras de turismo consideram o turismo de estudantes “importante” ou “muito importante” para o futuro do setor.
Fonte: Youth Travel Matters: Understanding the Global Phenomenon of Youth Travel
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